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quarta-feira, 4 de março de 2026

Especialista aponta fundamentos da prisão de Daniel Vorcaro e possíveis caminhos jurídicos no STF

A nova prisão do empresário Daniel Vorcaro voltou a movimentar o cenário jurídico e financeiro do país. A decisão foi determinada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), no contexto de investigações que apuram possíveis crimes financeiros e lavagem de dinheiro. Segundo a decisão, a medida cautelar extrema foi considerada necessária diante de riscos à ordem pública e à condução das investigações. 

A prisão reacende discussões entre especialistas sobre o uso da prisão preventiva em investigações complexas e sobre os limites entre a necessidade de garantir a ordem pública e o respeito às garantias processuais. De acordo com o advogado especialista em Direito Penal Eduardo Maurício, a fundamentação apresentada pelo ministro indica preocupação com a possibilidade de continuidade das práticas investigadas e eventual interferência no andamento do processo. 

“A decretação da prisão de Daniel Vorcaro foi devidamente fundamentada no fato de a liberdade colocar em risco a ordem pública e a integridade física de vítimas e autoridades, além de possibilitar a destruição de provas e a continuidade da lavagem de dinheiro e práticas delitivas mesmo após a soltura em novembro de 2025”, afirmou o jurista. 

Ainda segundo o especialista, a defesa possui alguns caminhos processuais possíveis dentro da própria Corte. Ele explica que, em razão de a decisão ter sido tomada por um ministro do STF, o instrumento mais comum não seria o habeas corpus diretamente contra a ordem, mas sim recursos internos no tribunal. 

“Com isso, Vorcaro poderia impetrar um Habeas Corpus, porém como a ordem é de um Ministro do STF o que cabe é um agravo regimental para revisão da turma ou pelo plenário da Corte; ou até mesmo um Pedido de Reconsideração ao próprio ministro André Mendonça com fatos e demonstração da desnecessidade da prisão preventiva e aplicação de medidas cautelares diversas, como proibição de contato, fiança ou uso de tornozeleira eletrônica”, explicou Eduardo Maurício. 

O advogado também aponta outra estratégia jurídica possível: o questionamento da própria tramitação do caso. “Além disso, Vorcaro pode ajuizar uma Reclamação Constitucional tentando demonstrar que a nova prisão desrespeita decisões anteriores de instâncias superiores ou questionar a competência da Justiça Federal nesse caso, buscando levar os processos para o âmbito do STF”, acrescentou.


Dia Mundial da Obesidade: por que culpar os pais não resolve o problema?

Especialista alerta que o excesso de peso nas crianças tem múltiplas causas e exige abordagem familiar

 

Uma em cada cinco crianças ou adolescentes do mundo está acima do peso, de acordo com dados recentes do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef). No Dia Mundial da Obesidade, celebrado em 4 de março, a reflexão vai além dos números e chega a uma pergunta frequente e muitas vezes carregada de julgamento: a obesidade infantil é sempre culpa dos pais? Especialistas alertam que a resposta é não.

A obesidade na infância é uma condição complexa, que envolve fatores genéticos, hormonais, comportamentais e ambientais. Embora os hábitos alimentares tenham papel importante, eles não são os únicos responsáveis pelo excesso de peso em crianças e adolescentes.

Na capital paulista, o Atendimento Multiassistencial (AMAS), unidade gerida pelo Instituto de Responsabilidade Social Sírio-Libanês em parceria com a Umane, associação civil, independente, isenta e sem fins lucrativos, desenvolve o Projeto Alimentação, voltado ao acompanhamento de crianças com obesidade. A iniciativa seleciona pacientes para que seus responsáveis participem de aulas com orientações sobre hábitos saudáveis e a importância da mudança de estilo de vida desde a infância.

Durante os encontros, são abordados temas como sono reparador, hidratação adequada, prática regular de atividade física, diferença entre alimentos in natura e processados e a importância de escolhas conscientes no momento das refeições.

Segundo o endocrinologista pediátrico do AMAS, Dr. Raphael Soares Kinoshita, a obesidade infantil precisa ser compreendida de forma ampla e sem culpabilização. “A obesidade infantil é uma condição multifatorial. Nem sempre está relacionada apenas à alimentação oferecida pelos pais. Existe a predisposição genética e causas hormonais, como o hipotireoidismo, que podem contribuir para o ganho de peso. Além disso, fatores como sedentarismo, privação de sono e o uso excessivo de telas têm impacto direto no metabolismo e no comportamento alimentar das crianças”, explica.

O tempo prolongado diante de celulares, tablets e videogames, por exemplo, reduz a prática de atividades físicas, interfere na qualidade do sono e ainda estimula o consumo de alimentos ultraprocessados, frequentemente associados à publicidade digital.

Os riscos da obesidade infantil vão além da questão estética e podem comprometer a saúde a curto e longo prazo, aumentando as chances de desenvolvimento de diabetes tipo 2, hipertensão arterial, alterações no colesterol, problemas ortopédicos e sofrimento emocional.

Para o especialista, o enfrentamento do problema exige o envolvimento de toda a família. “Não se trata de impor dietas restritivas à criança, mas de promover uma mudança coletiva de hábitos. Quando a família participa, o processo se torna mais saudável, sustentável e menos traumático. A infância é o momento ideal para construir uma relação equilibrada com a alimentação e com o próprio corpo”, reforça. 

 

Instituto de Responsabilidade Social Sírio-Libanês - IRSSL


Novo Nordisk e Governo da Dinamarca lançam iniciativa inédita para tratamento da obesidade em três centros do SUS

 

  • Programa global de Acesso Equitativo, idealizado pela Novo Nordisk, terá Brasil, Ilhas do Pacífico e Dinamarca como os primeiros a realizar o piloto, levando inovação para sistemas públicos de saúde.
  • Com base nas diretrizes da Organização Mundial da Saúde (OMS), a iniciativa produzirá dados relevantes sobre o impacto do uso de medicamentos e abordagem multidisciplinar no tratamento de obesidade grave no Sistema Único de Saúde (SUS) brasileiro.
  • Programa irá gerar evidências de como a prevenção e o cuidado integral às pessoas com obesidade com semaglutida pode melhorar a vida dos pacientes e reduzir custos de longo prazo do sistema de saúde nos três níveis da administração pública nos três níveis: municipal, estadual e federal.

 

No Dia Mundial da Obesidade, a Novo Nordisk, líder global em saúde, em parceria com o Governo da Dinamarca, anuncia o lançamento do Programa global de Acesso Equitativo. Com base nas diretrizes da Organização Mundial da Saúde (OMS) e alinhada a políticas estratégicas do governo brasileiro como o Viva Mais Brasil e o Agora Tem Especialistas, a iniciativa será implementada em centros selecionados do Sistema Único de Saúde (SUS) e tem como objetivo produzir dados e evidências sobre o impacto do uso da semaglutida injetável no tratamento da obesidade grave. A proposta busca contribuir com evidências clínicas, econômicas e sociais que possam apoiar futuras decisões em saúde pública, a partir de uma abordagem multidisciplinar e sustentável.

O objetivo é expandir o programa para populações em situação de vulnerabilidade social em todo o mundo, começando pelo Brasil, Ilhas do Pacífico e Dinamarca. Em nosso país, o programa será implementado em parceria com os três níveis da esfera pública (federal, estadual e municipal). Na rede pública federal de Porto Alegre (RS) via Grupo Hospitalar Conceição (GHC), no estado do Rio de Janeiro, via Instituto Estadual de Diabetes e Endocrinologia Luiz Capriglione (IEDE) e em município a ser selecionado. Os pacientes participantes serão aqueles já acompanhados por esses três centros do SUS, e cada instituição será responsável por definir seus próprios critérios técnicos de elegibilidade, de acordo com seus protocolos assistenciais e a realidade local.

A ação foi apresentada hoje (04/03), em Brasília, ao ministro da Saúde, Alexandre Padilha, e contará com o acompanhamento do Ministério da Saúde, especialmente no que se refere à análise dos resultados da implementação do projeto nesses três centros. Juntos, os locais representam regiões e populações de pacientes variadas, permitindo avaliara implementação em diferentes contextos de saúde.


Ciência à serviço da sustentabilidade do SUS

Mais do que acesso a medicamentos, o programa desenvolve um ecossistema de dados. Durante 2 anos, a iniciativa irá apoiar a implementação, a capacitação técnica, além de monitorar e avaliar os impactos na saúde, sociais e econômicos, do tratamento da obesidade de forma estruturada. O objetivo é gerar evidências e dados essenciais que podem contribuir para mudanças nos protocolos de atendimento no Brasil e no mundo. Como resultado de cuidado multidisciplinar às pessoas com obesidade, a companhia tem a expectativa de reduzir complicações graves e onerosas, como cirurgias do coração, diálise e internações.

“Como podemos ampliar o acesso a tratamentos inovadores e de qualidade para quem mais precisa? Essa foi a pergunta que buscamos responder com a criação do programa. Nosso objetivo é demonstrar como o tratamento multidisciplinar adequado pode ser expandido para populações com menores condições de acesso, garantindo que inovação não seja um privilégio, mas uma ferramenta de equidade em saúde”, afirma Leonardo Bia, Vice-Presidente de Assuntos Corporativos e Sustentabilidade da Novo Nordisk Brasil. “Ao tratar a obesidade como uma doença crônica, estamos buscando mudar o paradigma de tratar as consequências para tratar a causa”, completa.


Detalhes do programa Acesso Equitativo:

  • Capacitação e suporte: treinamento para gestores, equipe e profissionais de saúde, assim como suporte técnico especializado para gestão do cuidado e implementação de protocolos de saúde.
  • Monitoramento independente: parceiros técnicos e acadêmicos analisarão os dados de vida real para garantir total transparência e rigor científico. O objetivo é melhorar a qualidade, abrangência e uso de dados relacionados à obesidade, tanto para o planejamento de cenários epidemiológicos e triagem territorial quanto para a avaliação e o monitoramento dos resultados de políticas públicas e fluxos de atendimento.
  • Modelo de sustentabilidade: serão avaliados os impactos fiscais e econômicos do cuidado integral às pessoas com obesidade atendidas pelo SUS no contexto do programa.
  • Foco na redução das comorbidades: medição da redução de riscos de doenças do coração e a melhoria na qualidade de vida dos pacientes, avaliando o impacto e eficácia do programa.


A urgência do cenário brasileiro

De acordo com o Atlas Mundial da Obesidade 2025, cerca de 31% da população brasileira vive com obesidade. O impacto financeiro dessa condição sobre o SUS é crescente. Por isso, ao realizar o programa, a Novo Nordisk reafirma seu papel como a principal aliada do governo brasileiro na construção de um sistema de saúde mais resiliente e focado em tratar a obesidade como causa de outras comorbidades. A semaglutida injetável, primeiro medicamento de sua classe aprovado para o controle de peso a longo prazo com resultados de alta eficácia, poderá apoiar mais brasileiros em sua busca por saúde e bem-estar, assim como reduzir impactos sociais, econômicos e fiscais da obesidade no Brasil.

 

Novo Nordisk
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GSH Banco de Sangue de São Paulo lança campanha em homenagem ao Dia Internacional da Mulher

Em celebração ao Dia Internacional da Mulher, 8 de março, o GSH Banco de Sangue de São Paulo promove uma campanha especial durante todo o mês, com o objetivo de incentivar a doação de sangue e reforçar o protagonismo feminino na construção de uma corrente de solidariedade que salva vidas.

Com o mote “Mulher, sua força é inspiração, sua doação é salvação!”, a ação convida mulheres a transformarem sua generosidade em esperança para milhares de pacientes que dependem de transfusões diariamente.

Durante o mês de março, todas as mulheres que realizarem doação estarão automaticamente concorrendo ao sorteio de uma maleta de maquiagem, que será realizado no dia 31 de março. Além disso, entre os dias 5 e 10 de março, as doadoras poderão escolher um chaveiro exclusivo como forma de agradecimento pelo gesto solidário.

Apesar de representarem mais da metade da população brasileira, as mulheres ainda são minoria entre os doadores regulares de sangue. A campanha busca ampliar essa participação e desmistificar dúvidas que ainda afastam potenciais doadoras.

Conforme normas do Ministério da Saúde, mulheres podem doar sangue até três vezes ao ano, com intervalo mínimo de três meses entre as doações. Já homens podem doar até quatro vezes ao ano, com intervalo de 60 dias. “Muitas mulheres ficam receosas em doar sangue no período menstrual, porém, não há nenhum impedimento quanto a essa condição”, esclarece ainda Genésio Mesquita, líder de captação do GSH Banco de Sangue.

Existem, porém, alguns impedimentos temporários específicos para o público feminino, como gestação, pós-parto (90 dias para parto normal e 180 dias para cesariana) e período de amamentação.

A instituição reforça que a doação de sangue é um procedimento seguro, rápido e fundamental para o atendimento de emergências, cirurgias, tratamentos oncológicos e diversas outras situações médicas.


As doações podem ser feitas nos seguintes endereços:

  • Unidade Paraíso: Rua Tomás Carvalhal, 711, bairro Paraíso – atende diariamente, das 7h às 18h, inclusive aos finais de semana e feriados;
  • Unidade Beneficência Portuguesa, Rua Maestro Cardim 769, Bela Vista (Portaria 2) – atende diariamente, das 7h às 18h, inclusive aos finais de semana e feriados;
  • Unidade Santo André, Av. Dom Pedro II, 877 (Próximo ao Parque Celso Daniel), atende de segunda a sábado, das 7h às 12h 

Mais do que uma campanha comemorativa, a ação reafirma o papel essencial da mulher como agente de transformação social, mostrando que sua força inspira e sua doação, de fato, salva vidas.


Requisitos básicos para doação de sangue: 

  • Apresentar um documento oficial com foto (RG, CNH etc.) em bom estado de conservação;
  • Ter idade entre 16 e 69 anos desde que a primeira doação seja realizada até os 60 anos (menores de idade precisam de autorização e presença do responsável legal no momento da doação);
  • Estar em boas condições de saúde;
  • Pesar a partir de 50 kg;
  • Não ter feito uso de bebida alcoólica nas últimas 12 horas;
  • Após o almoço ou ingestão de alimentos gordurosos, aguardar 3 horas.
  • Não é necessário estar em jejum, evitar alimentos gordurosos
  • Se fez tatuagem e/ou piercing, aguardar 12 meses. Exceto para região genital e boca (12 meses após a retirada);
  • Se passou por endoscopia ou procedimento endoscópico, aguardar 6 meses;
  • Não ter tido Doença de Chagas e Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST);
  • Em caso de diabetes, deverá estar controlada e não fazer uso de insulina
  • Candidatos que apresentaram sintomas de gripe e/ou resfriado devem aguardar 7 dias após cessarem os sintomas e o uso das medicações;
  • Aguardar 48h para doar caso tenha tomado a vacina da gripe, desde que não esteja com nenhum sintoma.

Consulte a equipe do banco de sangue em casos de hipertensão, uso de medicamentos e cirurgias.


Março Lilás: casos de câncer de colo do útero devem crescer 14% no Brasil

Vírus HPV, que é prevenível por meio da vacinação, está relacionado a cerca de 99% dos casos e reforça a necessidade de ampliar prevenção

 

No mês do Março Lilás, dedicado à conscientização sobre o câncer de colo do útero, os recentes dados divulgados pelo Instituto Nacional de Câncer (INCA) são um alerta: proteger a saúde da mulher passa, necessariamente, por falar de prevenção contra o HPV, e é fundamental envolver também os homens nessa conversa. O INCA projeta mais de 19 mil novos casos no país anualmente, sendo o terceiro tipo de câncer mais incidente entre as mulheres de maneira geral. Esses números são a previsão do instituto para o triênio de 2026 a 2028. Para o triênio de 2022 a 2025, a estimativa era de pouco mais de 17 mil casos por ano no Brasil, o que representa um aumento de aproximadamente 14% de incidência. 

O câncer de colo do útero (ou cervical) é o tipo de câncer que mais mata mulheres até os 35 anos no Brasil e o segundo mais letal entre aquelas com até 60 anos, sendo que cerca de 20 mulheres morrem todos os dias em decorrência da doença. Aproximadamente 99% dos casos estão relacionados à infecção persistente pelo papilomavírus humano (HPV), que pode ser prevenida pela vacinação. Além disso, a doença pode ser evitada por meio de exames de rotina (Papanicolau e o novo rastreamento, o DNA HPV) e do tratamento adequado de lesões pré‑cancerígenas. 

"O câncer de colo do útero pode levar décadas para se manifestar após a infecção por HPV e a vacinação é uma das formas mais eficazes de prevenção ao vírus. É essencial combinar vacinação com exames de rotina e tratamento adequado de lesões pré‑cancerígenas para a erradicação da doença", afirma a Dra. Márcia Datz Abadi, diretora médica da MSD no Brasil. “Também é fundamental garantir que as mulheres diagnosticadas tenham acesso aos tratamentos disponíveis. Os avanços contínuos em terapias e tecnologias médicas ampliaram as possibilidades de cuidado, com diagnósticos mais precisos e terapias direcionadas. Ao integrar todas as etapas, da prevenção ao tratamento, reforçamos uma abordagem completa e centrada na vida das pacientes."

 

Vacinação: eixo central da estratégia para eliminar o câncer de colo do útero

Estima-se que 8 a cada 10 pessoas sexualmente ativas terão contato com um ou mais tipos do vírus durante a vida. O preservativo não previne 100% o contágio, pois o vírus é transmitido pelo contato direto entre pele e mucosas, inclusive em áreas não cobertas pela camisinha, por isso a vacinação é importante estratégia de prevenção. A vacinação está disponível nas redes pública e privada.

No Sistema Único de Saúde (SUS) a vacina quadrivalente está disponível para:

  • meninas e meninos de 9 a 14 anos, com um catch-up temporário dos 15 aos 19 anos;
  • pessoas vivendo com HIV/Aids até 45 anos;
  • pacientes transplantados de órgãos sólidos e de medula óssea até 45 anos;
  • usuários de PrEP de 15 a 45 anos;
  • vítimas de violência sexual de 15 a 45 anos;
  • pacientes oncológicos até 45 anos.

Na rede privada, há ainda a disponibilidade da vacina nonavalente, para homens e mulheres entre 9 e 45 anos.

Diante da forte ligação entre o HPV e o câncer de colo do útero, a Organização Mundial da Saúde (OMS) estabeleceu uma tríade de metas para prevenir e, futuramente, erradicar o câncer de colo do útero como problema de saúde pública:

  • 90% das meninas totalmente vacinadas contra o HPV até os 15 anos;
  • 70% das mulheres avaliadas com teste de alto desempenho até os 35 e novamente aos 45 anos;
  • 90% das mulheres diagnosticadas com lesões cervicais tratadas adequadamente.


HPV ao longo da vida da mulher

Uma meta-análise global, conduzida em cinco continentes com mais de 1 milhão de mulheres com exames citológicos normais, mostrou que a infecção pelo HPV não é um problema restrito à juventude. A prevalência global foi de 11,7%, com dois picos de infecção:

  • nas mais jovens, até 25 anos, a taxa chegou a 24%;
  • após os 45 anos, a prevalência voltou a subir, podendo atingir até 10%.

“Os dados desafiam a ideia de que o risco diminui com a idade e reforçam a necessidade de prevenção e rastreamento contínuos – da adolescência à maturidade”, explica Dra. Márcia.

Além disso, a falta de conhecimento a respeito do HPV entre as mulheres é um entrave para a erradicação do câncer de colo do útero. Uma pesquisa do EVA – Grupo Brasileiro de Tumores Ginecológicos e do Instituto Locomotiva mostrou que 6 a cada 10 mulheres não sabem que o câncer cervical é, em 99% dos casos, causado pelo HPV. Ainda de acordo com a pesquisa, 8 em cada 10 mulheres desconhecem ao menos uma informação essencial sobre o HPV.

 

HPV não é só “problema de mulher”

Embora o HPV seja frequentemente associado ao câncer de colo do útero, o vírus afeta tanto mulheres quanto homens. Entre os homens, cerca de um em cada cinco apresenta tipos de alto risco, associados ao desenvolvimento de câncer. 

Uma pesquisa recente com 300 homens brasileiros de 20 a 45 anos revelou que:

  • 1 em cada 3 homens acredita que o HPV afeta apenas mulheres;
  • apenas cerca de um terço sabe que a infecção pode levar ao câncer;
  • 45% acreditam que o uso da camisinha é suficiente para prevenir o HPV.

Entre os cânceres HPV relacionados estão os de cavidade oral, estando entre os sete tipos de câncer mais incidentes entre os homens (quando não considerados os tumores de pele não melanoma), que representam cerca de 71% dos casos estimados para cada ano de 2026 a 2028, o que reforça a necessidade de ampliar estratégias de prevenção também para o público masculino. Além da vacinação, conhecer os sintomas, ter o uso adequado de preservativo e a importância de procurar avaliação médica para diagnóstico precoce.

 

MSD no Brasil


Hiperidrose impacta qualidade de vida, mas tem tratamento especializado

Suor excessivo pode ir além do desconforto e exige avaliação dermatológica 

 

A hiperidrose, condição caracterizada pela produção excessiva de suor além do necessário para a regulação da temperatura corporal, pode afetar significativamente a qualidade de vida. O problema atinge principalmente axilas, mãos, pés e face, podendo também ocorrer de forma generalizada, e costuma gerar constrangimento social, insegurança e prejuízos nas atividades profissionais.

A doença pode ser classificada como primária, quando há predisposição hereditária, embora ainda não existam genes identificados, ou secundária ao uso de medicamentos e a outras condições clínicas. O diagnóstico correto é fundamental para definir a melhor estratégia terapêutica e descartar causas associadas.

“A hiperidrose não é apenas um incômodo estético. Trata-se de uma condição médica que pode trazer impactos emocionais, sociais e funcionais importantes. Ela pode ser primária, quando existe predisposição familiar, ou secundária a outras situações clínicas, por isso a avaliação dermatológica é essencial”, explica a secretária-geral da Sociedade Brasileira de Dermatologia – Secção do Rio Grande do Sul, Dra. Larissa Rodrigues Leopoldo.

Entre as alternativas terapêuticas disponíveis, a toxina botulínica surge como uma importante aliada nos casos de hiperidrose focal primária que não respondem adequadamente aos tratamentos tópicos. O medicamento atua bloqueando temporariamente os estímulos das glândulas sudoríparas, reduzindo a produção de suor na área tratada.

“A toxina botulínica apresenta excelentes resultados, especialmente na região axilar, com taxas de resposta entre 80% e 90% e duração média de seis a nove meses. Em áreas como as plantas dos pés, a resposta pode ser mais variável. É um procedimento seguro quando realizado por dermatologista, podendo ocorrer apenas pequenos hematomas, dor local e, em aplicações palmares, leve fraqueza muscular transitória”, orienta a médica.

Outras opções, como antitranspirantes clínicos, medicamentos orais e procedimentos específicos, também podem ser indicadas conforme cada caso. O mais importante é que o paciente busque orientação especializada para controle adequado do quadro.

Em casos de suspeita ou desconforto relacionado ao suor excessivo, procure um médico dermatologista. Os profissionais habilitados podem ser conferidos no site http://www.sbdrs.org.br/

   

Marcelo Matusiak

 

Câncer do colo do útero avança em silêncio: prevenção e diagnóstico ainda são gargalos

Mesmo com vacina e exames capazes de prevenir e detectar precocemente a doença, o câncer de colo do útero ainda mata milhares de brasileiras todos os anos — e expõe falhas no acesso à informação, ao rastreamento e ao tratamento adequado

 

Apesar de ser um dos poucos tipos de câncer que podem ser efetivamente prevenidos e até eliminados como problema de saúde pública, o câncer do colo do útero ainda impõe uma realidade dura às mulheres brasileiras. A cada ano, o país registra cerca de 17 mil novos casos, segundo estimativas do Instituto Nacional de Câncer (INCA), mantendo a doença entre as principais causas de morte por câncer na população feminina, especialmente nas regiões Norte e Nordeste. 

Globalmente, a Organização Mundial da Saúde (OMS) estabeleceu, em 2020, uma estratégia para eliminar o câncer do colo do útero até o fim do século, com metas claras: 90% das meninas vacinadas contra o HPV até os 15 anos, 70% das mulheres rastreadas com teste de alta performance ao longo da vida e 90% das mulheres diagnosticadas tratadas adequadamente. O Brasil aderiu ao compromisso, mas ainda enfrenta dificuldades para alcançar a cobertura vacinal ideal e ampliar o acesso a exames mais sensíveis. 

A medida é importante porque quase todos os casos de câncer do colo do útero estão associados à infecção persistente pelo papilomavírus humano (HPV), um vírus extremamente comum, transmitido principalmente por via sexual. “Na maioria das vezes, o HPV é eliminado naturalmente pelo organismo. O risco surge quando essa infecção persiste ao longo dos anos e provoca alterações nas células do colo do útero, que podem evoluir gradualmente até se tornarem um câncer invasivo”, explica a Dra. Michelle Samora, oncologista do Hcor. 

Um dos maiores desafios é que a doença costuma evoluir sem sinais evidentes nas fases iniciais. “Esse é um tumor que pode permanecer assintomático por muito tempo. Quando surgem sintomas, como sangramento fora do período menstrual, sangramento após a relação sexual ou corrimento persistente, muitas vezes a doença já está em estágio mais avançado”, alerta a especialista. “Por isso, o rastreamento regular é essencial, mesmo na ausência de qualquer desconforto.” 

Para a médica, o cenário brasileiro revela uma contradição preocupante. “Estamos falando de um câncer que tem vacina e métodos eficazes de detecção precoce. Ainda assim, ele continua afetando mulheres em idade produtiva. Isso mostra que o desafio hoje não é falta de tecnologia, mas garantir acesso consistente à prevenção e ao diagnóstico”, afirma. 

Tradicionalmente, o rastreamento era feito por meio do exame citopatológico, conhecido como Papanicolau. No entanto, evidências científicas recentes apontam que o teste molecular para detecção do HPV é mais sensível para identificar mulheres em risco, permitindo intervalos maiores entre os exames quando o resultado é negativo. Países que migraram para o teste de HPV como método primário de rastreamento já observam redução mais acelerada na incidência da doença. No Brasil, a incorporação desse modelo ainda é gradual e desigual. 

“O câncer do colo do útero não é uma doença única. Existem subtipos com comportamentos diferentes. O adenocarcinoma, por exemplo, tem aumentado proporcionalmente e pode ser mais difícil de identificar apenas com a citologia convencional. Isso reforça a necessidade de métodos de rastreamento mais sensíveis e estratégias atualizadas”, destaca a Dra. Michelle. 

A prevenção se apoia em dois pilares principais: vacinação e rastreamento. A vacina contra o HPV, disponível gratuitamente no Sistema Único de Saúde para meninas e meninos, protege contra os principais tipos virais associados ao câncer. Estudos de longo prazo já demonstram queda significativa nas lesões pré-cancerosas em países com alta cobertura vacinal. No Brasil, o esquema preconizado pelo Programa Nacional de Imunizações é de dose única para meninas e meninos de 9 a 14 anos. O Brasil atingiu em 2024, mais de 82% de cobertura vacinal contra o HPV entre meninas desta faixa etária, superando a média global de 12%, segundo dados OMS. Entre os meninos da mesma faixa etária, a cobertura chega a 67%. Para indivíduos fora dessa faixa etária ou pertencentes a grupos especiais, a vacinação segue esquemas diferenciados. 

No campo do tratamento, os avanços também são relevantes e têm permitido abordagens cada vez mais individualizadas. Além da cirurgia, da radioterapia e quimioterapia, que continuam sendo pilares no tratamento do câncer do colo do útero, contamos com terapias mais modernas como a imunoterapia, que estimula o próprio sistema imunológico da paciente a reconhecer e combater as células tumorais e medicamentos que funcionam como uma espécie de “entrega direcionada” de quimioterapia, buscando maior precisão e menor impacto em tecidos saudáveis. 

“Temos ferramentas eficazes para reduzir drasticamente a incidência e a mortalidade por esse câncer nas próximas décadas. O que precisamos é ampliar a cobertura vacinal, fortalecer o rastreamento e garantir que o tratamento seja iniciado no tempo adequado. A eliminação do câncer de colo do útero como problema de saúde pública é possível, mas depende de compromisso contínuo”, conclui.


 Hcor

 

 

Avanço da obesidade no Brasil acende alerta entre especialistas para os próximos anos


Freepik
Novo estudo mostra que os índices de obesidade cresceram 118% em quase duas décadas e indicam tendência de avanço contínuo nos próximos anos
 

 

Consultórios mais cheios e o aumento no diagnóstico de doenças metabólicas já fazem parte da realidade brasileira. O avanço da obesidade e de suas comorbidades consolidou-se como um dos principais desafios de saúde pública da próxima década, não apenas pelo ganho de peso, mas pelas consequências associadas a ele. Dados da pesquisa Vigitel 2025, divulgada pelo Ministério da Saúde, mostram que o número de adultos com obesidade cresceu 118% entre 2006 e 2024, em paralelo ao aumento de outras doenças crônicas, como diabetes (+135%), sobrepeso (+47%) e hipertensão (+31%). O levantamento também revela mudanças importantes no comportamento cotidiano: a prática de atividade física de deslocamento, como caminhar ou pedalar para o trabalho, caiu de 17% em 2009 para 11,3% em 2024, indicando que o sedentarismo passou a integrar a rotina urbana, marcada por longos períodos sentados e menor gasto energético diário. É nesse contexto que o Dia Mundial da Obesidade, lembrado em março, ganha relevância como um marco de conscientização e alerta sobre os impactos da doença e a urgência de estratégias de prevenção e cuidado contínuo.


Por que a obesidade segue avançando?

Para o médico Dr. Edson Ramuth, fundador do Emagrecentro, rede de emagrecimento saudável e estética corporal, os números ajudam a compreender por que a obesidade tende a manter uma trajetória de crescimento caso não ocorram mudanças estruturais no cuidado com a saúde. “A obesidade é considerada uma das principais doenças crônicas do século justamente porque não surge de forma abrupta. Ela resulta de um acúmulo silencioso de fatores ao longo do tempo: menos movimento no dia a dia, alimentação cada vez mais prática e calórica, privação de sono, estresse persistente e ausência de acompanhamento contínuo”, explica o médico.

Segundo o especialista, além dos hábitos comportamentais, a predisposição genética também exerce papel relevante, especialmente na forma como o organismo responde ao ambiente. “Algumas pessoas apresentam maior tendência ao acúmulo de gordura corporal, alterações hormonais ou resistência à insulina. Isso não define o desfecho, mas exige estratégias individualizadas e acompanhamento de longo prazo”, afirma. Os impactos do ganho de peso crônico vão além da balança. O acúmulo de gordura, sobretudo na região abdominal, está associado a maior risco de doenças cardiovasculares, diabetes tipo 2, hipertensão, desequilíbrios hormonais, inflamação sistêmica, além de sobrecarga em articulações como joelhos e coluna e prejuízos à saúde do fígado. “Quando esse processo se mantém por anos, o impacto metabólico torna-se inevitável”, completa o Dr. Ramuth.


Alimentação e acompanhamento fazem diferença

Para Fernanda Lopes, nutricionista da Six Clínic, iniciativa 100% online dedicada ao cuidado de pessoas com obesidade e sobrepeso, um dos erros mais comuns é tratar a obesidade como um problema pontual. “Muitas pessoas alternam períodos de restrição intensa com fases de descontrole alimentar, o que aumenta o risco de efeito sanfona e compromete a saúde metabólica. Uma estratégia sustentável precisa caber na rotina real e considerar não apenas calorias, mas qualidade da alimentação, sono, estresse e acompanhamento profissional”, explica Fernanda.

Segundo a profissional, o excesso de gordura corporal mantido ao longo do tempo costuma vir acompanhado de alterações no controle glicêmico, na pressão arterial e em marcadores inflamatórios. “Quando o organismo entra em um estado inflamatório persistente, o emagrecimento se torna mais difícil e o risco de doenças aumenta. Por isso, o foco não deve ser emagrecer rápido, e sim melhorar a saúde metabólica de forma progressiva e duradoura”, completa a nutricionista.


Dificuldade de sustentar hábitos ativos

Além do aspecto clínico e nutricional, a dificuldade de manter hábitos ativos de forma contínua aparece como um dos principais entraves. A educadora física Flávia Cristófaro, fundadora e CEO do Elah App, plataforma online de exercícios físicos para o público feminino, destaca que o problema não está apenas na falta de informação, mas na incompatibilidade entre a rotina moderna e a prática regular de atividade física. “As pessoas sabem que precisam se movimentar, mas vivem em uma lógica que não favorece isso. Jornadas extensas, deslocamentos longos e cansaço constante fazem com que o exercício seja percebido como algo distante da realidade”, explica Flávia.

Segundo ela, esse cenário contribui para ciclos recorrentes de tentativa e abandono. “Quando a atividade física é tratada de forma rígida ou idealizada, ela não se sustenta. A constância, mesmo em volumes menores, é muito mais determinante do que a intensidade. Movimentos possíveis, repetidos ao longo do tempo, geram mais impacto do que esforços pontuais”, conclui.

 

O efeito colateral do mercado paralelo na guerra contra a obesidade


Depois de décadas de inércia, a medicina finalmente começa a oferecer respostas mais consistentes para uma das doenças crônicas mais prevalentes do planeta: a obesidade. Foram anos de pesquisas, ensaios clínicos e avaliação regulatória até que uma nova geração de medicamentos chegasse ao consultório com resultados inéditos. Hoje, fala-se em perdas de 15% até 25% do peso corporal com fármacos aprovados.

A expectativa agora se volta para a Retatrutida, triplo agonista ainda em estudo que, em fases clínicas, mostrou perdas de até 30% do peso corporal, superiores às da Tirzepatida, comercializada como Mounjaro. Mas há um detalhe essencial: a Retatrutida ainda não foi aprovada em nenhum país.

Ainda assim, surgiu a notícia de que a empresa Éticos, conhecida por já ter produzido medicamentos proibidos no Brasil, anunciou o lançamento de uma suposta Retatrutida com o nome comercial “ReduFast”. Pouco depois, a Dirección Nacional de Vigilancia Sanitaria informou que não concedeu aprovação oficial para o produto nem mesmo no Paraguai.


É aqui que mora o verdadeiro perigo.

Já conhecemos os danos do mercado paralelo das chamadas “canetas emagrecedoras”: produtos sem rastreabilidade, sem garantia de armazenamento adequado e sem comprovação da composição. Há relatos de efeitos adversos graves, contaminações e substâncias diferentes das prometidas, um risco sanitário evidente.


Mas existe um efeito colateral ainda mais perverso: a difamação do tratamento da obesidade.

Quando alguém usa um produto clandestino, sofre um efeito adverso e associa o problema à “caneta para emagrecer”, não é apenas aquele produto que perde credibilidade. É toda a classe terapêutica. É a ciência. É o tratamento desenvolvido dentro das regras. É o paciente que passa a ouvir: “Viu? Essas injeções fazem mal”.

A obesidade já carrega estigma suficiente e ainda é tratada como falha moral ou falta de força de vontade. Trata-se, porém, de uma doença crônica, complexa e multifatorial, associada a maior risco de infarto, acidente vascular cerebral e diversos tipos de câncer. Negar tratamento adequado é perpetuar sofrimento e custos humanos e econômicos.

Se permitirmos que o mercado paralelo avance antes da eventual aprovação oficial da Retatrutida, o cenário é previsível: produtos de origem duvidosa, eventos adversos graves, manchetes alarmistas e uma população cada vez mais desconfiada. O medo se espalha. O preconceito se reforça. E quem realmente precisa do tratamento fica sem acesso, seja por receio, seja por restrição futura mais rígida.

É urgente conscientizar a população sobre a importância de respeitar os trâmites oficiais e reforçar a vigilância sanitária e o controle de fronteiras para evitar a entrada de produtos não aprovados que exploram a esperança de quem luta contra a obesidade.

Quando o atalho vira regra, a conta chega, não apenas em efeitos colaterais físicos, mas em descrédito social. O risco maior não é a molécula em si, e sim transformar uma das maiores conquistas recentes da medicina em mais um capítulo de desinformação e medo. 

 

Dr. Ramon Marcelino - referência em endocrinologia e medicina do estilo de vida. Atua no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP (HCFMUSP) e integra o corpo clínico do Hospital Sírio-Libanês. Em seu perfil no Instagram @dr.ramonmarcelino, compartilha conteúdos confiáveis sobre saúde, metabolismo e os avanços no tratamento da obesidade.



Sua vida depende da limpeza do enxoval hospitalar; entenda o porquê

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Higiene adequada e organização dos materiais usados nos hospitais são fundamentais para evitar riscos, melhorar a operação e elevar o cuidado ao paciente.

 

A segurança e a qualidade nos serviços de saúde dependem de uma série de processos que nem sempre são visíveis ao público, mas que têm impacto direto na experiência e no cuidado oferecido. Entre eles está a gestão e a higienização das roupas e materiais utilizados no dia a dia hospitalar, como lençois, toalhas, cobertores, aventais e peças usadas por pacientes e equipes.

Dentro dos protocolos recomendados pela Associação Brasileira do Mercado de Limpeza Profissional (Abralimp), este é um dos processos essenciais dentro das instituições hospitalares, pois constitui uma barreira fundamental na prevenção de infecções e na redução de riscos de contaminação cruzada. Quando itens de enxoval são tratados de forma correta, desde a coleta até a lavagem, desinfecção, secagem e redistribuição, garante que microrganismos não circulem entre diferentes setores, preservando a integridade de quem recebe ou presta atendimento. 

É importante entender que a segurança do processo de higienização está diretamente relacionada à adoção de protocolos padronizados, definidos por órgãos reguladores como a Anvisa. Isso inclui o uso correto de EPIs, capacitação constante das equipes e gestão rigorosa de resíduos hospitalares. 

Outro ponto essencial é a sustentabilidade. Ao cuidar melhor das peças utilizadas nos atendimentos, os hospitais reduzem descartes desnecessários, otimizam a lavagem e aumentam o tempo de uso dos materiais, criando um ciclo mais responsável e eficiente.

A Uniabralimp, centro de formação da Abralimp, oferece cursos profissionalizantes focados na excelência operacional do setor. Entre os destaques, o curso "Gestão de Enxovais: Eficiência, Qualidade e Segurança no Processamento Hospitalar" está com vagas abertas para a próxima turma no dia 27 de fevereiro. 

A formação aborda de forma prática e técnica todo o ciclo de vida do enxoval, desde as características dos tecidos e processos de higiene e limpeza até o controle de infecção. 

O intensivo será ministrado pela Profa. Dra. Teresinha Covas Lisboa, uma das maiores autoridades do país no tema. Pós-doutora em Administração pela Florida Christian University e doutora pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, Teresinha é autora de diversas obras sobre administração hospitalar e participou ativamente da elaboração e revisão técnica do Manual de Processamento de Roupas de Serviços de Saúde da ANVISA. 

As inscrições devem ser feitas diretamente no site da instituição: Link.

‘’A Abralimp está comprometida na profissionalização dos setores de limpeza e nas necessidades do mercado, melhorando e elevando a prestação de serviço na área de limpeza’’, informa Sacha Haim, presidente da associação.


Associação Brasileira do Mercado de Limpeza Profissional - Abralimp

 

Tempo de socorro eleva chance de sobreviver a um infarto para até 90%

 

Quanto mais rápido o atendimento, menor é o dano cardíaco e melhor é a qualidade de vida do paciente pós-infarto.

 

A rapidez do atendimento é o principal fator que influencia os desfechos de óbito em infartos. O infarto agudo do miocárdio é a maior causa de morte no país, condição que acometeu o ator Herson Capri e levou ao adiamento da estreia do espetáculo teatral "Eu Sou Minha Própria Mulher", no Rio de Janeiro. Segundo a Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), com base nos dados mais recentes do levantamento Estatística Cardiovascular 2023, o socorro em até 2 horas pode elevar a chance de sobrevivência para algo entre 80% e 90%. 

Pelo atendimento ágil, o ator já retornou ao trabalho para a estreia nesta quinta-feira (5). Isso porque, “se o atendimento for rápido, os danos ao funcionamento do coração podem ser mínimos e o impacto na vida da pessoa será quase inexistente”, diz o cardiologista Dr. Luiz Antônio Machado César, membro da SBC.

 

Como o coração se recupera de um infarto? Por que o tempo importa?

Infarto significa morte celular devido à falta de oxigênio, entregue às células pela circulação sanguínea. Quanto mais tempo durar a parada cardíaca, mais o suprimento de oxigênio é interrompido e maior é o dano ao coração. Isso significa que parte do coração pode “morrer” durante um ataque cardíaco. 

“O atendimento e a aplicação do tratamento, envolvendo a desobstrução das artérias por cateterismo, devem ser aplicados o mais rápido possível para evitar desfechos de insuficiência cardíaca”, diz o Dr. César. Isso permite a recuperação do órgão, ainda que com limitações funcionais. 

Em casos em que o dano é extenso,  a parte perdida do músculo cardíaco vira cicatriz e não volta a contrair, fazendo com que o restante do coração tenha que se readaptar. 

Essa readaptação é chamada de remodelamento, em que o coração se dilata para tentar manter a função de bombear sangue. Esse processo pode reduzir a capacidade de bombeamento, favorecendo insuficiência cardíaca, arritmias, formação de aneurismas e aumentar o risco de morte súbita. 

O maior impacto na rotina, segundo o cardiologista, é no que depende de esforço físico. “A pessoa pode notar mais dificuldade para fazer o que estava acostumada com relação ao esforço físico. Ficar mais ofegante para caminhar, subir escadas ou trabalhar, se a função é mais braçal, por exemplo.”

 

Três coisas que quem passou por um infarto precisa saber

Ter sofrido um infarto aumenta significativamente a chance de um novo evento cardíaco. Para reduzir essa chance, os pacientes são tratados com medicamentos que controlam a obstrução das artérias, pressão arterial e aumentam a capacidade cardíaca , embora a possibilidade de um novo infarto nunca seja eliminada. “Em um período de 20 a 30 anos, a maioria dos pacientes provavelmente terá um novo evento, que pode ou não ser fatal”, afirma o cardiologista. 

De acordo com o Dr. César, quem passa por um infarto se vê diante de um “novo episódio”.

Além do tratamento medicamentoso, que deve sempre ser acompanhado de orientação médica, o cardiologista dá três recomendações para reduzir as chances de um segundo ataque cardíaco: 

  1. Reeducação alimentar: o ideal é buscar avaliação de um nutricionista para readequar a alimentação conforme a necessidade do paciente. No geral, evitar alimentos gordurosos, carboidratos de fácil absorção (como açúcar e arroz branco) e controlar o sódio são as principais recomendações, assim como ficar atento aos níveis de colesterol e de glicemia.
  2. Atividade física: a segunda orientação é aumentar a quantidade de exercícios. Segundo o médico, de 20 a 30 minutos diários fazem a diferença para diminuir o risco de um segundo infarto, assim como de outras doenças cardiovasculares, como hipertensão e AVC.
  3. Atenção aos sintomas: dor no peito, abdômen, braços e costas; dor sentida ao realizar esforço físico; e despertar durante a noite com uma dor incomum que desaparece rapidamente, “são avisos para buscar atendimento”, informa o médico. 

Fora as mudanças nos hábitos, o Dr. César reforça que as consultas periódicas ao médico são essenciais para acompanhar a saúde do coração após infarto. “A maioria das pessoas só descobre que tem doença coronária depois de um infarto pela falta de hábito de ir ao médico. Manter as visitas ao consultório é essencial para evitar eventos cardíacos graves.”

 

Sociedade Brasileira de Cardiologia - SBC

 

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