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segunda-feira, 20 de abril de 2026

Dados do Ministério da Saúde apontam queda na cobertura vacinal infantil entre 2024 e 2025

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Especialista do Complexo Hospitalar Santa Casa de Bragança Paulista reforça importância de seguir o calendário vacinal 


Entre os dias 24 e 30 de abril, a Semana Mundial da Imunização chama a atenção para o papel das vacinas na prevenção de doenças e na proteção da saúde pública. 

Nos últimos 50 anos, os imunizantes ajudaram a salvar pelo menos 154 milhões de vidas em todo o mundo, o equivalente a seis por minuto. 

No Brasil, segundados do Ministério da Saúde mostram que a cobertura vacinal segue alta nas primeiras doses aplicadas logo após o nascimento. Em 2025, a BCG atingiu 98,55% e a vacina contra hepatite B, 98,76%. 

Com o passar dos meses, porém, esse índice começa a cair. Entre as vacinas aplicadas antes de 1 ano, a cobertura contra poliomielite ficou em 87,68% e a vacina penta, que protege contra difteria, tétano, coqueluche, hepatite B e outras doenças, atingiu 88,12%. A vacina contra febre amarela segue com uma das menores coberturas, com 73,82%. 

O mesmo padrão foi observado em 2024: a cobertura contra poliomielite ficou em 90,54%, a penta registrou 90,35%, enquanto a vacina contra febre amarela manteve baixa adesão, com 73,54%. 

A queda é mais evidente após o primeiro ano de vida, quando entram as doses de reforço. A tríplice viral, que protege contra sarampo, caxumba e rubéola, alcançou 92,66% na primeira dose, mas caiu para 78,02% na segunda. O mesmo ocorre com os reforços contra poliomielite (85,42%) e contra difteria, tétano e coqueluche (86,85%). 

Em 2024, a tríplice viral registrou 95,84% na primeira dose e 80,53% na segunda. Já o reforço da poliomielite ficou em 88,06% e o de difteria, tétano e coqueluche, em 89,07%. 

Para a coordenadora da Pediatria do Complexo Hospitalar Santa Casa de Bragança Paulista, Dra. Amanda Sereno Rahal, os números mostram um padrão já conhecido: o início da vacinação costuma ter boa adesão, mas a continuidade ainda é um desafio. “As vacinas são organizadas em um calendário justamente porque o sistema imunológico precisa de estímulos em momentos diferentes. Quando a criança não recebe todas as doses, ela pode ficar parcialmente protegida”, explica. 

A vacina funciona como um estímulo controlado para o organismo. Ao entrar em contato com uma versão segura do agente causador da doença, o corpo ativa o sistema imunológico e cria uma memória de defesa. Isso permite que, em uma exposição futura ao vírus ou à bactéria, a resposta seja mais rápida e eficaz, reduzindo o risco de complicações e internações. 

Quando as doses são aplicadas no tempo correto, essa proteção se torna mais completa. Além de proteger quem recebe a vacina, a imunização ajuda a reduzir a circulação de doenças na comunidade, diminuindo o risco de transmissão. Esse efeito coletivo é especialmente importante para quem não pode se vacinar, como recém-nascidos, idosos e pessoas com a imunidade comprometida. 

Apesar dos benefícios já comprovados, ainda há desinformação que interfere na adesão. “Muitos mitos ainda circulam, principalmente nas redes sociais, como a ideia de que vacinas não são seguras ou não são necessárias. Isso não se sustenta. As vacinas passam por testes rigorosos antes de serem aprovadas e continuam sendo monitoradas mesmo após a aplicação na população”, afirma. 

Outro ponto importante, segundo o pediatra, é a importância de manter o calendário vacinal em dia. “As vacinas seguem um cronograma definido, com doses em momentos específicos para garantir a proteção completa. Por isso, é fundamental que pais e responsáveis acompanhem a caderneta e levem as crianças até uma Unidade Básica de Saúde para receber as vacinas nas idades recomendadas”, reforça.

Dados:Link

 

Complexo Hospitalar Santa Casa de Bragança Paulista


Boca como porta de entrada: o elo invisível entre saúde bucal e doenças sistêmicas

Novos estudos reforçam que infecções bucais podem desencadear inflamações sistêmicas e permitir a entrada de bactérias na corrente sanguínea, impactando órgãos vitais 

 

A saúde bucal vai muito além da estética e da região da própria boca. Evidências científicas recentes reforçam um alerta ainda pouco difundido fora da odontologia: problemas dentários e gengivais silenciosos podem estar associados ao aumento do risco de doenças graves, como infarto, AVC e até demência. O conceito de que a boca é uma porta de entrada para o organismo ganha força à medida que estudos reforçam como infecções bucais podem afetar todo o corpo.

De acordo com a dentista e diretora da Neodent, Dra. Priscila Cordeiro, a cavidade oral funciona como um dos principais pontos de contato com o meio externo. “Tudo o que ingerimos passa pela boca e a mucosa bucal é altamente vascularizada. Quando há inflamações, infecções ou feridas, bactérias podem entrar na corrente sanguínea com mais facilidade”, explica. Os microrganismos podem atingir outras regiões do corpo e contribuir para inflamações em vasos sanguíneos, podendo afetar órgãos como o coração e o cérebro. Entre os principais fatores de risco estão as doenças periodontais, como a gengivite e a periodontite, que frequentemente evoluem de forma silenciosa. Sem dor nos estágios iniciais, essas condições podem se transformar em inflamações crônicas relevantes. Além disso, infecções dentárias, normalmente geradas por cáries profundas, e até a perda dentária, também podem ter impacto sistêmico, podendo comprometer a nutrição e a qualidade de vida.

Nesses casos, soluções como os implantes dentários ganham destaque ao possibilitar a reabilitação funcional da mastigação e a preservação da saúde óssea, contribuindo para o equilíbrio do organismo como um todo. “A odontologia moderna oferece soluções cada vez mais integradas, desde tratamentos periodontais até reabilitações com implantes, que contribuem não apenas para a estética, mas para a saúde como um todo”, ressalta a Dra. Priscila.

A relação entre a saúde bucal e as doenças cardiovasculares já é um dos pontos consolidados. Segundo a especialista, a periodontite contribui para um estado inflamatório sistêmico que favorece a formação de placas de gordura nas artérias — processo conhecido como aterosclerose — podendo elevar o risco de infarto e AVC. “Não se trata de uma causa única, mas é um fator de risco relevante e, principalmente, evitável com cuidados diários e acompanhamento odontológico adequado”, destaca.

Outro campo que vem ganhando atenção é a ligação entre doenças bucais e o declínio cognitivo. Estudos recentes indicam que bactérias e mediadores inflamatórios originados na boca podem alcançar o cérebro e contribuir para processos inflamatórios neurológicos ao longo do tempo. Embora ainda esteja em investigação, essa associação acende um sinal de alerta para a importância da saúde bucal na prevenção de doenças neurodegenerativas.


Sinais silenciosos e prevenção

Sangramento gengival, mau hálito persistente, retração gengival, mobilidade dentária e sensibilidade são alguns dos sinais frequentemente ignorados, mas que podem indicar problemas mais sérios. Alterações na posição dos dentes também devem ser avaliadas, pois impactam diretamente a higiene e o equilíbrio da mordida. Para pacientes com aparelhos ortodônticos a atenção deve ser redobrada, já que esses dispositivos exigem cuidados específicos para evitar o acúmulo de placa bacteriana. Nesses casos, alinhadores ortodônticos transparentes são uma alternativa que facilita a higiene e favorece a manutenção da saúde bucal durante o tratamento.

Segundo a dentista especialista em Ortodontia da ClearCorrect, Fernanda Santini, os alinhadores oferecem diversos benefícios “Além de praticamente imperceptíveis, os alinhadores proporcionam mais comodidade no dia a dia e facilitam a higienização bucal quando comparados aos aparelhos tradicionais. Isso permite ao paciente manter seus hábitos de escovação e uso do fio dental com facilidade, favorecendo um tratamento mais equilibrado e com resultados previsíveis”.

A prevenção continua sendo a principal aliada. Hábitos simples, como a escovação adequada, o uso diário do fio dental e as visitas regulares ao dentista, podem evitam o avanço de infecções e o comprometimento de outros sistemas do organismo. O controle de fatores de risco, como o tabagismo e o diabetes, também é determinante.

 

Neodent+

www.clearcorrect.com.br

 

Covid longa em crianças: estudo aponta quatro sinais de alerta e orienta pais sobre prevenção


Pesquisa publicada na revista The Lancet indica que risco pode aumentar a cada nova infecção; especialistas alertam para sintomas persistentes após a doença
 

 

Embora a Covid-19 em crianças seja, na maioria dos casos, leve e de curta duração, pesquisas recentes apontam que a doença pode deixar sintomas persistentes. Um estudo publicado na revista científica The Lancet mostra que a chamada Covid longa em crianças e adolescentes é uma condição real e que o risco de desenvolvê-la pode aumentar a cada nova infecção pelo vírus. 

O alerta ocorre em um momento de alta circulação de vírus respiratórios no país. Uma nova edição do Boletim InfoGripe, da Fiocruz, divulgada no mês de março, aponta aumento dos casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) em todo o país. Segundo a análise, o cenário tem sido impulsionado principalmente pelo crescimento das hospitalizações por rinovírus em crianças e adolescentes de 2 a 14 anos e pelo vírus sincicial respiratório (VSR) em crianças menores de 2 anos. 

Nesse contexto, especialistas destacam a importância de atenção aos sintomas e ao histórico de infecções. Diferentemente dos adultos, crianças nem sempre conseguem explicar com clareza o que estão sentindo. O estudo aponta que o risco de complicações aumenta a partir da segunda ou terceira infecção. Assim, mesmo quando a primeira Covid se manifesta apenas como um resfriado leve, uma nova contaminação pode estar associada ao surgimento de sintomas que persistem por meses. 

Alguns desses sinais podem ser confundidos com mudanças de comportamento ou dificuldades escolares. Por isso, médicos orientam que pais e responsáveis fiquem atentos a sintomas que podem indicar a necessidade de avaliação médica: 

·         Cansaço extremo: quando a criança que era ativa passa a ter dificuldade para correr ou brincar como antes.

·         Névoa mental: dificuldade de concentração, esquecimentos frequentes ou queda repentina no desempenho escolar.

·         Dores persistentes: dores de cabeça frequentes ou dores abdominais recorrentes sem causa aparente.

·         Coração acelerado: sensação de batimentos fortes ou falta de ar com esforços leves. 

Outro ponto de atenção é o possível impacto no sistema cardiovascular. “O vírus pode provocar processos inflamatórios no organismo, incluindo inflamação do músculo do coração, chamada miocardite, além de alterações na circulação que nem sempre aparecem em exames comuns. Por isso, se a criança apresentar sintomas persistentes após a Covid, é importante procurar avaliação médica”, afirma Carolina Affonseca, médica pediatra e professora da pós-graduação em Pediatria da Afya Educação Médica.

 

Como reduzir os riscos

A médica reforça que a prevenção e o acompanhamento após a infecção ajudam a reduzir o risco de complicações. Entre as principais orientações estão: 

·         Vacinação em dia: as vacinas reduzem significativamente o risco de formas graves da doença e ajudam a diminuir a probabilidade de complicações prolongadas.

·         Atenção aos sintomas após a infecção: após um episódio de Covid, é recomendado observar a criança nas semanas seguintes. Mudanças no sono, no humor ou na disposição devem ser relatadas ao pediatra.

·         Diagnóstico adequado: atualmente, médicos utilizam questionários clínicos e exames laboratoriais que podem auxiliar na investigação de sintomas persistentes relacionados à Covid.

 


Afya
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Hipertensão: nova diretriz brasileira redefine pressão normal e acende alerta para 30% da população adulta

A novidade amplia a zona de risco para milhões de adultos no país, buscando antecipar intervenções e frear o avanço silencioso de uma das principais causas de morte cardiovascular. Especialistas do Hospital Santa Lúcia reforçam a urgência de diagnóstico precoce e da mudança de hábitos



O Dia Nacional do Combate e Prevenção à Hipertensão, celebrado em 26 de abril, traz um tom de urgência para a saúde brasileira: A publicação da 9ª Diretriz Brasileira de Hipertensão Arterial, em setembro de 2025, alterou os parâmetros de diagnóstico da marca historicamente considerada o "padrão ouro", de 120/80 mmHg, que passou a ser classificada como pré-hipertensão. A mudança coloca milhões de brasileiros em uma nova zona de atenção, exigindo uma postura antes que a doença se manifeste de forma grave.

De acordo com dados da pesquisa Vigitel 2025, a prevalência da condição entre brasileiros saltou de 22,6% em 2006 para quase 30% em 2024, acompanhando o crescimento dos índices de obesidade e diabetes no país. Embora 71% dos hipertensos tenham o diagnóstico, apenas 38% conseguem manter o quadro efetivamente sob controle, o que reforça a necessidade de novas estratégias terapêuticas e de conscientização.

A reclassificação dos níveis pela Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) é uma forma de transformar o comportamento do paciente. "A iniciativa da SBC em reclassificar a PA sistólica de 120 a 139 mmHg e a PA diastólica de 80 a 89 mmHg em pré-hipertensão, consiste na busca de identificar precocemente indivíduos em risco e incentivar intervenções mais proativas para prevenir a progressão para hipertensão arterial”, explica o Dr. Ricardo Cals, cardiologista do Hospital Santa Lúcia Norte (HSLN).

Na prática, pacientes que anteriormente recebiam a notícia de que a pressão "12 por 8" estava normal, agora recebem um sinal de advertência, conforme detalha o especialista. "Quando o paciente é classificado como pré-hipertenso, deve-se acender um alerta, estimulando o engajamento e responsabilidade pessoal, incentivando o indivíduo a ser o protagonista de sua saúde a fim de promover mudanças sustentáveis no estilo de vida e prevenir o surgimento da hipertensão arterial", alerta o médico.



Ameaça silenciosa, impacto global

A hipertensão é frequentemente descrita como uma ameaça silenciosa por sua característica assintomática. Globalmente, a condição atinge 1,4 bilhão de pessoas, mas apenas 23% mantêm a doença sob controle. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a cada hora, mais de mil vidas são perdidas para AVCs e ataques cardíacos causados pela pressão alta, totalizando mais de 10 milhões de mortes anuais.

"A hipertensão é o principal determinante de mortalidade cardiovascular no Brasil e no mundo”, adverte o Dr. Cals. “É uma doença silenciosa, sendo que a sua primeira manifestação clínica pode ser um evento grave, como o AVC e infarto. Por isso, é importante a busca ativa e o diagnóstico precoce".

O avanço da condição no país reflete hábitos da vida moderna. Multifatorial, ela pode envolver desde a genética e o envelhecimento até questões psicossociais e ambientais. Entre os vilões contemporâneos estão a obesidade, o sedentarismo, a alimentação inadequada e o abuso de álcool e drogas. Um ponto de atenção crescente nos últimos anos é o impacto da saúde mental e do descanso na pressão arterial.

"O estresse e a privação de sono exacerbam o sistema nervoso simpático, aumentando a secreção de neurotransmissores como a adrenalina e a noradrenalina, que, consequentemente, causam vasoconstrição e aumentam a pressão arterial", complementa o cardiologista.

O tratamento inadequado ou a falta de diagnóstico podem levar a danos irreversíveis aos chamados "órgãos-alvo". Segundo o Dr. Cals, “a hipertensão arterial não tratada ou tratada inadequadamente, aumenta substancialmente o risco de lesões de órgãos-alvo, podendo causar AVC, infarto, doença renal dialítica, perda visual, dentre outras morbidades".


Checklist de saúde

Para auxiliar a população no manejo da nova diretriz, o especialista sugere um guia didático de monitoramento e prevenção:

  • O objetivo universal agora é manter a pressão arterial abaixo de 130/80 mmHg para todos os pacientes, após o início das intervenções.
  • A verificação deve ser uma rotina. Valores iguais ou superiores a 120/80 mmHg já exigem mudanças imediatas no estilo de vida.
  • Para além do descanso, o sono de qualidade é uma ferramenta de controle da pressão arterial por reduzir a carga de neurotransmissores de estresse.
  • Na alimentação, a redução drástica do sódio e o combate aos ultraprocessados são pilares fundamentais.
  • Atividade física regular é essencial para combater o sedentarismo e a obesidade, dois dos principais gatilhos da doença.


Estrutura de ponta no Distrito Federal

O Hospital Santa Lúcia investe em uma linha de cuidados cardiológicos completa. A infraestrutura inclui a UTI C3 Premium Care, projetada para casos de altíssima complexidade, e o serviço NeuroCardioVascular, que oferece suporte integrado para prevenir e tratar as consequências da hipertensão.

Uma equipe altamente qualificada trabalha o manejo de todos os fenótipos da hipertensão arterial, abrangendo desde os quadros mais leves até os casos de hipertensão resistente. O protocolo de diagnóstico e acompanhamento da instituição fundamenta-se no uso de exames complementares modernos, conduzidos por um corpo clínico especializado em ambientes projetados para oferecer conforto e acolhimento aos pacientes.

“A linha NeuroCardioVascular integra diferentes especialidades para cuidar do paciente de forma completa. Muitas doenças estão interligadas, como a hipertensão arterial sistêmica, que pode ter várias causas. Você sabia que um dos sintomas da hipertensão pode ser a dor de cabeça? E que uma das causas da hipertensão pode ser a obstrução das artérias que irrigam os rins? Quando trabalhamos de forma conjunta, conseguimos identificar melhor essas causas e oferecer um tratamento mais rápido e adequado, melhorando os resultados e a qualidade de vida do paciente”, complementa o cirurgião endovascular Dr. Gustavo Paludetto, coordenador da linha.


Abril Marrom: especialista do CEJAM responde às principais dúvidas sobre a perda de visão na terceira idade

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O diagnóstico precoce de doenças oculares é um dos principais aliados na prevenção da cegueira e da baixa visão e pode evitar até 80% dos casos de deficiência visual, segundo a Organização Mundial da Saúde. O alerta ganha destaque no Abril Marrom, mês dedicado à conscientização dessas condições.

A campanha reforça a importância do acompanhamento oftalmológico regular, já que muitas doenças evoluem de forma silenciosa, causando danos irreversíveis quando descobertas tardiamente. Embora o tema envolva todas as faixas etárias, o cuidado deve ser redobrado entre a população idosa, uma vez que o avanço da idade aumenta o risco de problemas que afetam a capacidade visual e comprometem a autonomia e a qualidade de vida.

Para esclarecer o tema, o oftalmologista Dr. Luiz G. Caprio, do AME Carapicuíba, unidade da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo (SES-SP) e gerenciada pelo CEJAM – Centro de Estudos e Pesquisas “Dr. João Amorim”, responde às principais dúvidas sobre o tema:
 

A perda de visão faz parte do envelhecimento ou sempre indica doença? 

Algumas alterações são esperadas com o envelhecimento, como a presbiopia, que é a dificuldade para enxergar de perto causada pela perda de flexibilidade do cristalino.

No entanto, qualquer mudança deve ser avaliada por um profissional. Sintomas como perda progressiva da visão, piora em apenas um dos olhos, presença de manchas no campo visual ou redução da percepção periférica não são normais e costumam indicar doenças que exigem diagnóstico e tratamento.
 

Quais são as principais causas de cegueira e baixa visão em idosos? 

As principais causas são catarata, degeneração macular relacionada à idade (DMRI), glaucoma e erros refrativos não corrigidos. Entre elas, a catarata é a mais comum e ocorre quando o cristalino perde a transparência, provocando visão embaçada e maior sensibilidade à luz. Já o glaucoma afeta o nervo óptico, o que leva à perda gradual da visão periférica, muitas vezes de forma silenciosa.
 

Quais fatores aumentam o risco de perda de visão na velhice? 

A idade avançada é um dos principais fatores de risco para o desenvolvimento de doenças oculares, especialmente quando associada a hábitos e condições de vida que impactam diretamente a saúde dos olhos. Fatores como tabagismo, consumo de álcool, exposição excessiva à luz ultravioleta, alimentação inadequada e obesidade estão associados a um maior risco de alterações na visão. Além disso, histórico familiar e o uso prolongado de medicamentos, como corticosteroides, também estão relacionados a esses riscos.


Como diabetes e hipertensão afetam a visão? 

O diabetes pode causar retinopatia diabética, condição em que os vasos sanguíneos da retina são danificados, podendo levar a vazamentos, formação de vasos anormais e perda progressiva da visão. A hipertensão também afeta os vasos da retina, provocando alterações na circulação ocular. Quando não controladas, ambas levam a complicações.
 

Quais sinais de alerta não devem ser ignorados? 

Alguns sintomas exigem avaliação imediata, como perda súbita de visão, flashes de luz, aparecimento repentino de “moscas volantes”, dor ocular intensa e sensação de sombra ou “cortina” no campo visual. Esses sinais podem indicar quadros graves, como descolamento de retina ou glaucoma agudo, que também oferecem o risco da perda permanente da visão se não tratados rapidamente.
 

Com que frequência o idoso deve ir ao oftalmologista? 

A recomendação é que pessoas com 65 anos ou mais realizem exames oftalmológicos completos a cada 1 ou 2 anos. Para pacientes com doenças crônicas, como diabetes, ou com fatores de risco, o acompanhamento deve ser mais frequente, conforme orientação médica.
 

Como a baixa visão afeta a autonomia do idoso no dia a dia? 

A baixa visão compromete atividades básicas, como se vestir, se alimentar e se locomover, além de dificultar tarefas mais complexas, como administrar medicamentos e finanças. Também pode aumentar o risco de quedas e favorecer o isolamento social.
 

Qual o principal alerta para idosos e familiares? 

Muitas doenças oculares são silenciosas e evoluem lentamente. Quando os sintomas aparecem, a complicação pode estar avançada. Por isso, não é recomendado esperar sinais para procurar atendimento. O acompanhamento regular é fundamental para o diagnóstico precoce e a prevenção da cegueira.
 

Programa Acompanhante de Idosos e o cuidado com a saúde ocular 

O cuidado com a visão está diretamente ligado à manutenção da autonomia e da qualidade de vida. Nesse contexto, o CEJAM gerencia o Programa Acompanhante de Idosos (PAI), uma iniciativa da Secretaria Municipal da Saúde de São Paulo voltada ao atendimento de pessoas em situação de vulnerabilidade social.

Nas UBSs Vera Cruz, Jardim Maracá e Jardim Comercial, administradas pelo CEJAM em São Paulo, o programa oferece assistência domiciliar personalizada, com apoio às atividades diárias e acompanhamento em consultas e exames. O PAI também contribui para o diagnóstico precoce ao identificar possíveis sinais e sintomas, além de auxiliar aqueles que já apresentam alguma limitação visual.

Com foco na prevenção de quedas e em estímulos cognitivos e motores, atua na manutenção da independência e da capacidade funcional dos idosos. A iniciativa reforça o compromisso do CEJAM com a promoção da saúde e a redução de agravos, especialmente entre populações mais vulneráveis.
  


CEJAM - Centro de Estudos e Pesquisas “Dr. João Amorim”
@cejamoficial

 

Saiba mais sobre o mal súbito

 

O mal súbito não é uma doença, mas um sintoma de que algo está errado, caracterizado por uma perda repentina de consciência. Segundo cardiologistas do Hcor, as causas mais frequentes são de origem cardíaca, como infarto agudo do miocárdio e arritmias, mas podem variar desde um quadro de desidratação e hipoglicemia, até causas neurológicas, como acidente vascular cerebral (AVC) e convulsões. Pode culminar em morte. 

Ainda de acordo com os especialistas do Hcor, requer uma avaliação médica para atendimento emergencial. Se o indivíduo tem pulso, dois exames podem esclarecer rapidamente a causa: glicemia capilar (para hipoglicemia) e eletrocardiograma de repouso (para localizar sinais de infarto ou arritmia grave). Em caso de infarto, tratamento imediato com aspirina, medicações para dissolver o trombo e cateterismo de urgência. Se for arritmia, drogas antiarrítmicas, após eventual desfibrilação. Para hipoglicemia, aplicação de glicose. 

Os cardiologistas do Hcor ressaltam que tempo médio de recuperação depende muito da causa e da gravidade. Quanto mais rápido o atendimento, maiores as chances de salvar a vida e de uma recuperação posterior.


Hcor


Hipertensão: nova diretriz brasileira redefine pressão normal e acende alerta para 30% da população adult

A novidade amplia a zona de risco para milhões de adultos no país, buscando antecipar intervenções e frear o avanço silencioso de uma das principais causas de morte cardiovascular. Especialistas do Hospital Santa Lúcia reforçam a urgência de diagnóstico precoce e da mudança de hábitos


O Dia Nacional do Combate e Prevenção à Hipertensão, celebrado em 26 de abril, traz um tom de urgência para a saúde brasileira: A publicação da 9ª Diretriz Brasileira de Hipertensão Arterial, em setembro de 2025, alterou os parâmetros de diagnóstico da marca historicamente considerada o "padrão ouro", de 120/80 mmHg, que passou a ser classificada como pré-hipertensão. A mudança coloca milhões de brasileiros em uma nova zona de atenção, exigindo uma postura antes que a doença se manifeste de forma grave.

De acordo com dados da pesquisa Vigitel 2025, a prevalência da condição entre brasileiros saltou de 22,6% em 2006 para quase 30% em 2024, acompanhando o crescimento dos índices de obesidade e diabetes no país. Embora 71% dos hipertensos tenham o diagnóstico, apenas 38% conseguem manter o quadro efetivamente sob controle, o que reforça a necessidade de novas estratégias terapêuticas e de conscientização.

A reclassificação dos níveis pela Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) é uma forma de transformar o comportamento do paciente. "A iniciativa da SBC em reclassificar a PA sistólica de 120 a 139 mmHg e a PA diastólica de 80 a 89 mmHg em pré-hipertensão, consiste na busca de identificar precocemente indivíduos em risco e incentivar intervenções mais proativas para prevenir a progressão para hipertensão arterial”, explica o Dr. Ricardo Cals, cardiologista do Hospital Santa Lúcia Norte (HSLN).

Na prática, pacientes que anteriormente recebiam a notícia de que a pressão "12 por 8" estava normal, agora recebem um sinal de advertência, conforme detalha o especialista. "Quando o paciente é classificado como pré-hipertenso, deve-se acender um alerta, estimulando o engajamento e responsabilidade pessoal, incentivando o indivíduo a ser o protagonista de sua saúde a fim de promover mudanças sustentáveis no estilo de vida e prevenir o surgimento da hipertensão arterial", alerta o médico.



Ameaça silenciosa, impacto global

A hipertensão é frequentemente descrita como uma ameaça silenciosa por sua característica assintomática. Globalmente, a condição atinge 1,4 bilhão de pessoas, mas apenas 23% mantêm a doença sob controle. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a cada hora, mais de mil vidas são perdidas para AVCs e ataques cardíacos causados pela pressão alta, totalizando mais de 10 milhões de mortes anuais.

"A hipertensão é o principal determinante de mortalidade cardiovascular no Brasil e no mundo”, adverte o Dr. Cals. “É uma doença silenciosa, sendo que a sua primeira manifestação clínica pode ser um evento grave, como o AVC e infarto. Por isso, é importante a busca ativa e o diagnóstico precoce".

O avanço da condição no país reflete hábitos da vida moderna. Multifatorial, ela pode envolver desde a genética e o envelhecimento até questões psicossociais e ambientais. Entre os vilões contemporâneos estão a obesidade, o sedentarismo, a alimentação inadequada e o abuso de álcool e drogas. Um ponto de atenção crescente nos últimos anos é o impacto da saúde mental e do descanso na pressão arterial.

"O estresse e a privação de sono exacerbam o sistema nervoso simpático, aumentando a secreção de neurotransmissores como a adrenalina e a noradrenalina, que, consequentemente, causam vasoconstrição e aumentam a pressão arterial", complementa o cardiologista.

O tratamento inadequado ou a falta de diagnóstico podem levar a danos irreversíveis aos chamados "órgãos-alvo". Segundo o Dr. Cals, “a hipertensão arterial não tratada ou tratada inadequadamente, aumenta substancialmente o risco de lesões de órgãos-alvo, podendo causar AVC, infarto, doença renal dialítica, perda visual, dentre outras morbidades".



Checklist de saúde

Para auxiliar a população no manejo da nova diretriz, o especialista sugere um guia didático de monitoramento e prevenção:

  • O objetivo universal agora é manter a pressão arterial abaixo de 130/80 mmHg para todos os pacientes, após o início das intervenções.
  • A verificação deve ser uma rotina. Valores iguais ou superiores a 120/80 mmHg já exigem mudanças imediatas no estilo de vida.
  • Para além do descanso, o sono de qualidade é uma ferramenta de controle da pressão arterial por reduzir a carga de neurotransmissores de estresse.
  • Na alimentação, a redução drástica do sódio e o combate aos ultraprocessados são pilares fundamentais.
  • Atividade física regular é essencial para combater o sedentarismo e a obesidade, dois dos principais gatilhos da doença.

 

Hospital Santa Lúcia

 

Brasil registra mais de 700 mil novos casos de câncer por ano; cerca de 40% podem ser prevenidos

Oncologista do CEJAM aponta como mudanças de hábitos podem ajudar na prevenção da doença

 

O Brasil registra cerca de 704 mil novos casos de câncer por ano, segundo a estimativa mais recente do Instituto Nacional de Câncer (INCA/Ministério da Saúde) para o triênio 2023-2025. O volume mantém a doença entre os maiores desafios de saúde pública no país, mas há um dado que reposiciona o debate: de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), entre 30% e 50% dos casos podem ser prevenidos com medidas como redução do tabagismo e do consumo de álcool, alimentação mais saudável, atividade física e vacinação. 

“Quando falamos em câncer, muita gente pensa que é sempre genética. Não é. Uma parte importante tem relação direta com fatores modificáveis: tabagismo, álcool, excesso de peso, sedentarismo, alimentação inadequada e exposição solar sem proteção”, afirma a Dra. Laísa Silva, oncologista do Hospital Regional de Assis, unidade da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo (SES-SP) e gerenciada pelo CEJAM – Centro de Estudos e Pesquisas ‘Dr. João Amorim’. 

Conforme o INCA, entre os cânceres mais incidentes no país estão o de pele não melanoma, mama, próstata, cólon e reto, pulmão e estômago. “Nas mulheres, o câncer de mama segue como o mais comum; nos homens, o de próstata. Mas é importante olhar também para os tumores fortemente associados a hábitos — como pulmão, por exemplo, muito ligado ao tabaco”, explica Dra. Laísa. 

O tabagismo é o fator isolado mais prevenível. No mundo, está relacionado a uma parcela expressiva das mortes por câncer e segue como prioridade de saúde pública. “Parar de fumar é a medida com maior impacto na redução de risco oncológico. E vale também para quem já fumou: o corpo se beneficia com o tempo”, afirma. 

A médica reforça que o álcool é um fator de risco estabelecido para vários tumores. “É um tema que ainda surpreende: do ponto de vista oncológico, não há consumo totalmente isento de risco. Reduzir já ajuda. E evitar é melhor.” 

Já o excesso de peso e sedentarismo aumentam o risco para múltiplos tipos de câncer. “Não se trata de dieta da moda. É necessário apenas ter uma rotina que inclui comida de verdade, com menos ultraprocessados, movimento regular e sono melhor”, resume. Além disso, o câncer de pele, o mais frequente no Brasil, pode ser evitado com proteção solar, roupas adequadas e a não exposição em horários de maior radiação. “São atitudes simples que mudam o risco ao longo da vida”, orienta. 

A vacinação ocupa papel central na prevenção. “Quando se fala em tumores de colo de útero, orofaringe, ânus, pênis, vagina e vulva, um dos principais vilões é o HPV, que possui vacina. Assim como a imunização contra a hepatite B, que previne a infecção pelo HBV, principal fator de risco para o câncer de fígado”, afirma. 

Além de medidas preventivas, a detecção precoce é um dos principais determinantes da sobrevida. De acordo com a oncologista, identificar o câncer em fases iniciais muda completamente a trajetória da doença, permitindo tratamentos com intenção curativa, menos agressivos, com menos efeitos colaterais e melhor qualidade de vida. Nesse sentido, a realização regular de consultas e exames de rotina, conforme orientações médicas, é fundamental. 

Nos últimos anos, a oncologia avançou com a incorporação da medicina de precisão, testes moleculares, imunoterapia e terapias-alvo. Essas abordagens tornaram o cuidado mais individualizado, humanizado e, em alguns tumores, ampliaram as chances de cura em cenários antes improváveis. 

A médica reforça que a combinação entre prevenção, diagnóstico precoce e acesso ao cuidado segue sendo a principal estratégia para reduzir o impacto da doença no país. “O câncer ainda assusta, mas hoje sabemos que muitos casos podem ser prevenidos e muitos outros podem ser curados quando diagnosticados precocemente. A informação e o cuidado contínuo fazem diferença real na vida das pessoas”, conclui.



CEJAM - Centro de Estudos e Pesquisas “Dr. João Amorim”
@cejamoficial


Entenda o câncer no cérebro, doença diagnosticada em Oscar Schmidt há 15 ano

  

Doug Pensinger
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Ídolo do basquete brasileiro e hall da Fama, Oscar Schmidt morreu nesta sexta-feira, 17, aos 68 anos, após um mal-estar súbito, sem causa confirmada. Diagnosticado com tumor cerebral há 15 anos, o ex-atleta conviveu com a doença ao longo de sua trajetória, passando por cirurgias, quimioterapia e radioterapia, o que reforça a importância de compreender os diferentes tipos de câncer no sistema nervoso central e suas possibilidades de tratamento 

A morte de Oscar Schmidt, anunciada nesta sexta-feira, 17, aos 68 anos, mobilizou o país e o mundo do esporte. O ex-jogador, hall da Fama do basquete, faleceu poucos minutos após receber atendimento médico por um mal-estar. Até o momento, a causa da morte não foi divulgada oficialmente. O episódio ocorre quinze anos após o diagnóstico de um tumor cerebral, condição que passou a integrar a trajetória do atleta desde então. Ao longo desse período, Oscar foi submetido a cirurgias, sessões de quimioterapia e de radioterapia, em um acompanhamento prolongado, que exemplifica a complexidade do cuidado em cânceres do sistema nervoso central.

A Sociedade Brasileira de Radioterapia explica que o câncer no cérebro abrange um conjunto heterogêneo de tumores que podem se originar no próprio sistema nervoso central ou resultar de metástases de outros órgãos. Entre os tumores primários (surgidos no cérebro), os gliomas são os mais frequentes. Eles se desenvolvem a partir das células gliais, responsáveis por dar suporte e proteção aos neurônios, e apresentam comportamentos distintos, que variam de formas de crescimento lento até variantes altamente agressivas. Essa diversidade biológica é determinante para o prognóstico e para a escolha do tratamento. De maneira geral, as estratégias terapêuticas incluem cirurgia, radioterapia e quimioterapia, isoladas ou em combinação, dependendo das características do tumor e das condições clínicas do paciente.

A radioterapia, em particular, desempenha um papel central em diferentes momentos do tratamento. “A abordagem contribui para o controle da doença, alívio dos sintomas neurológicos e melhoria da qualidade de vida dos pacientes. Principalmente quando a cirurgia não é uma opção viável e t de forma complementar a cirurgia em algumas situações”, explica o radio-oncologista Gustavo Nader Marta, ex-presidente da SBRT.

Nos tumores cerebrais primários, a cirurgia costuma ser a primeira opção terapêutica, sempre que possível. Após a retirada da lesão, a radioterapia é frequentemente indicada no pós-operatório, com o objetivo de reduzir o risco de progressão e prolongar o tempo livre de doença. Em situações nas quais a cirurgia não é viável, seja pela localização do tumor em áreas críticas do cérebro ou pelas condições clínicas do paciente, a radioterapia pode ser utilizada como tratamento principal, muitas vezes associada à quimioterapia.

Nas metástases cerebrais, que representam uma das complicações mais comuns em pacientes com câncer, o tratamento é individualizado. “Quando as metástases são pequenas, especialmente com até 3 cm, a melhor técnica é a radiocirurgia estereotáxica”, afirma Marta. Esse tipo de abordagem permite a administração de altas doses de radiação de forma precisa, em geral em dose única, preservando o tecido saudável ao redor.

Quando os tumores são maiores ou provocam aumento da pressão intracraniana, a cirurgia pode ser indicada para alívio dos sintomas, sendo frequentemente seguida de radioterapia complementar. Já nos casos com múltiplas lesões, a radioterapia de todo o cérebro pode ser considerada, muitas vezes em associação com terapias sistêmicas.

A escolha da estratégia terapêutica leva em conta uma série de fatores, incluindo o número e o tamanho das lesões, a presença de sintomas e o estágio da doença. Em alguns pacientes assintomáticos e com acesso a tratamentos sistêmicos eficazes, a intervenção local pode ser postergada com segurança, desde que a decisão seja tomada por uma equipe multidisciplinar.

Além de seu papel no controle tumoral, a radioterapia também é importante para o manejo de sintomas neurológicos. Cefaleias persistentes, convulsões, alterações motoras e mudanças de comportamento podem estar associadas à presença de tumores cerebrais. “Embora os sintomas possam ser confundidos com outras condições neurológicas, sinais como perda de força, formigamentos, alterações de comportamento, crises convulsivas ou dores de cabeça persistentes e intensas devem sempre acender um alerta para a possibilidade de um tumor cerebral”, afirma Marta .

O diagnóstico precoce ainda é um desafio. Os sintomas são inespecíficos e podem ser atribuídos a diferentes condições clínicas, o que frequentemente retarda a investigação. Exames de imagem, como tomografia computadorizada e ressonância magnética, são fundamentais para identificar lesões no cérebro, enquanto a confirmação diagnóstica costuma depender de biópsia e análise molecular, que orientam o planejamento terapêutico.

De acordo com o radio-oncologista Eduardo Weltman, que também presidiu a SBRT, a complexidade desses tumores também se reflete nas limitações do tratamento. “Embora alguns desses tumores respondam bem à radioterapia e à quimioterapia, esta resposta frequentemente não leva à cura dos pacientes. E uma vez não curados, a progressão desses tumores, comprimindo e infiltrando estruturas nobres, pode acabar sendo fatal”, explica .

Apesar desses desafios, os avanços tecnológicos têm ampliado as possibilidades terapêuticas. Técnicas modernas de radioterapia permitem maior precisão na entrega de dose, reduzindo efeitos colaterais e aumentando as taxas de controle da doença. Em metástases cerebrais, por exemplo, índices de controle local podem chegar a até 90 por cento quando o tratamento é realizado de forma adequada e em centros especializados.

“O planejamento da radioterapia ocorre a partir da consulta médica para avaliação do número de aplicações, além de exames de tomografia e ressonância magnética de crânio, para definição do volume que receberá radiação”, explica o radio-oncologista Paulo Lázaro de Moraes. O objetivo é interromper o crescimento tumoral, preservar funções neurológicas e manter a qualidade de vida.

  

Sociedade Brasileira de Radioterapia (SBRT
https://sbradioterapia.com.br/


Tontura é coisa séria: alterações no metabolismo podem estar por trás do sintoma

Especialistas alertam que tontura recorrente pode estar relacionada a distúrbios metabólicos e destacam a importância da avaliação médica 

 

A tontura, frequentemente descrita como sensação de desequilíbrio, visão escurecendo ou a impressão de que tudo ao redor está girando, é um sintoma comum e que não deve ser ignorado. Durante a Semana da Tontura 2026, que acontece de 20 a 26 de abril, a ABORL-CCF (Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial) e a ABON (Academia Brasileira de Otoneurologia) promovem uma campanha nacional de conscientização para alertar a população sobre a importância de investigar corretamente esse sintoma.

Neste ano, o foco da campanha será a relação entre tontura e alterações metabólicas, que podem ser condições comuns, porém muitas vezes subdiagnosticadas, e que podem impactar diretamente o equilíbrio e a qualidade de vida do paciente.

De acordo com o Dr. Marcelo Oliveira, Diretor Presidente da Academia Brasileira de Otoneurologia, o diagnóstico correto é essencial para garantir um tratamento eficaz e evitar limitações na rotina dos pacientes. “Com uma abordagem adequada e individualizada, é possível controlar os sintomas e melhorar significativamente a qualidade de vida do paciente”, declara.

Embora muitas pessoas associem a tontura exclusivamente a problemas do ouvido interno, o especialista destaca que alterações como diabetes, hipoglicemia, resistência insulínica, disfunções da tireoide, alterações hormonais, anemia, dislipidemias, deficiência de vitaminas e desequilíbrios eletrolíticos também podem comprometer o funcionamento do sistema nervoso e vestibular.

Entre os principais sintomas relacionados estão tontura recorrente, vertigem, desorientação espacial, sensação de instabilidade, fraqueza, mal-estar e aumento do risco de quedas. A intensidade e a duração desses sintomas podem variar, tornando o diagnóstico ainda mais desafiador. “A tontura é um sinal de alerta do organismo e não deve ser ignorada. Identificar sua causa é o primeiro passo. Por isso, é importante consultar um médico otorrinolaringologista para que seja realizada uma avaliação adequada”, afirma.

Além do acompanhamento médico, a adoção de hábitos saudáveis como alimentação equilibrada, prática regular de atividade física e controle dos fatores metabólicos é fundamental tanto na prevenção quanto no controle das crises.

A campanha “Tontura é coisa séria” também busca engajar profissionais de saúde e ampliar o acesso da população a informações confiáveis, promovendo uma abordagem mais completa no cuidado com pacientes que apresentam o sintoma. Ao longo da semana, serão realizadas ações digitais, incluindo conteúdos educativos, vídeos com especialistas e divulgação científica acessível nas redes sociais.


Programação oficial da Semana da Tontura 2026:

  • 22 de abril (quarta-feira), às 20h – Aula para profissionais de saúde (Zoom)
  • 23 de abril (quinta-feira), às 20h – Live para o público geral (Instagram)
  • 24 de abril (sexta-feira), às 20h – Mesa-redonda para profissionais de saúde (Zoom)


Sintoma comum, tontura pode indicar diferentes doenças e exige investigação

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Campanha nacional, de 20 a 26 de abril, destaca a importância de avaliar o quadro e seus sinais associados; especialista alerta para situações que exigem atendimento médico imediato


Você já sentiu tontura ou conhece alguém que tenha passado por isso? Apesar de comum, esse sintoma pode esconder condições importantes e merece atenção. Entre os dias 20 e 26 de abril, a Semana da Tontura 2026, promovida pela Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial (ABORL-CCF) e pela Academia Brasileira de Otoneurologia (ABON), reforça o alerta com o tema “Tontura é coisa séria: sabia que alterações no metabolismo também podem causar tontura?”. A iniciativa busca conscientizar a população sobre a importância de investigar corretamente esse sinal clínico. 

“Muita gente ainda encara como algo simples, mas existem situações que exigem avaliação imediata”, explica a Dra. Naiana Rocha Arcanjo, otorrinolaringologista e otoneurologista do Hospital de Olhos de Pernambuco (HOPE). “Quando surge de forma súbita, intensa ou diferente do habitual, ou vem acompanhada de sintomas como fraqueza, dormência, dificuldade para falar, visão dupla, perda de consciência ou dor de cabeça forte, é fundamental procurar atendimento com urgência”, orienta. 

Segundo a especialista, identificar a origem nem sempre é tarefa simples, já que diferentes sistemas do organismo podem estar envolvidos. “Nem sempre o problema está restrito ao labirinto. Sinais como alteração na coordenação, palpitações, sensação de desmaio ou episódios ligados ao estresse podem indicar causas neurológicas, cardíacas, metabólicas ou emocionais”, destaca. “Esses fatores podem inclusive se associar e exigir acompanhamento conjunto com outros profissionais”, completa. 

Para ajudar a população a compreender melhor, ela esclarece diferenças básicas entre termos frequentemente confundidos. “Tontura é um conceito amplo, que engloba várias sensações. Já a vertigem é quando há percepção de giro, enquanto o desequilíbrio está relacionado à dificuldade de se manter em pé ou caminhar”, explica. 

A tentativa de resolver o problema por conta própria é outro ponto de preocupação. “Um erro comum é usar medicamentos sem orientação, acreditando que tudo se resume à ‘labirintite’”, alerta. “Além disso, ignorar sinais associados ou buscar soluções na internet pode mascarar doenças e atrasar o tratamento adequado”, acrescenta. 

Os impactos no cotidiano também são relevantes. “Sem o cuidado correto, há risco de quedas, fraturas e acidentes, especialmente entre pessoas mais velhas. Isso compromete diretamente a segurança e a qualidade de vida”, afirma. 

Na prática clínica, a investigação envolve diferentes etapas. “O diagnóstico é feito a partir da história do paciente, exame físico e testes específicos. Em alguns casos, solicitamos audiometria, exames vestibulares, laboratoriais ou de imagem, mas nenhum deles, isoladamente, confirma a causa”, esclarece. 

Há ainda influência direta dos hábitos diários. “Estresse, ansiedade, noites mal dormidas, alimentação inadequada, sedentarismo e consumo excessivo de cafeína ou álcool podem desencadear ou agravar os episódios”, ressalta. 

Entre idosos, a atenção deve ser redobrada. “Existe um declínio natural do equilíbrio, além do uso de múltiplos medicamentos e presença de doenças associadas. Por isso, qualquer episódio precisa ser valorizado para evitar complicações mais graves”, pontua. 

As possibilidades terapêuticas variam conforme o diagnóstico. “Podemos utilizar medicamentos, realizar manobras específicas, indicar reabilitação vestibular e orientar mudanças no estilo de vida. Tudo depende da causa identificada”, afirma. 

Como mensagem central da campanha, a especialista reforça a importância da conscientização. “Tontura tem causa, diagnóstico e tratamento. O mais importante é não banalizar, evitar automedicação e buscar avaliação adequada”, finaliza a Dra. Naiana Rocha Arcanjo.


Fonoaudiologia é aliada essencial no desenvolvimento da comunicação de crianças com TEA


O acompanhamento fonoaudiológico tem papel fundamental no desenvolvimento de crianças com Transtorno do Espectro Autista, especialmente quando há atraso ou ausência na fala. Mais do que trabalhar a linguagem verbal, a fonoaudiologia atua na construção da comunicação como um todo, respeitando o tempo, as habilidades e as particularidades de cada criança. 

De acordo com a fonoaudióloga da Uniube, Maria Julia Barbosa, um dos primeiros sinais de alerta pode surgir ainda nos primeiros meses de vida. “Se a criança até os 7 meses não apresenta nenhum tipo de som ou balbucio, como ‘mama’, ‘dada’ ou ‘baba’, é importante que os pais procurem um especialista para avaliar se é necessário intervir no desenvolvimento da fala”, orienta. 

Nos casos em que a criança não desenvolve a linguagem verbal, a fonoaudiologia utiliza diferentes estratégias para estimular a comunicação. Segundo a especialista, não existe uma fórmula única de atendimento. “Não tem uma receita de bolo. Cada criança é única. Em geral, utilizamos brincadeiras lúdicas, sons associados a imagens, figuras e desenhos. Isso ajuda a criança a se sentir mais confortável no ambiente terapêutico e favorece a expressão, mesmo que de forma não verbal”, explica. 

O trabalho vai além do consultório e depende diretamente do envolvimento familiar. A continuidade dos estímulos no ambiente doméstico é considerada essencial para o avanço da criança. “Para que aquilo que é feito na terapia seja realmente aprendido, contamos principalmente com o apoio dos pais e familiares. Eles reforçam as estratégias no dia a dia e ajudam a inserir a comunicação em atividades cotidianas, despertando a curiosidade da criança e evitando que ela fique isolada, sem interação”, destaca Maria Julia. 

A atuação da fonoaudiologia no TEA tem como objetivo ampliar as formas de comunicação, seja por fala, gestos, expressões ou recursos alternativos, promovendo mais autonomia, interação social e qualidade de vida para a criança e sua família.

Especialistas reforçam que o diagnóstico precoce e a intervenção adequada fazem toda a diferença no desenvolvimento infantil, tornando o acompanhamento fonoaudiológico uma ferramenta indispensável no cuidado com crianças dentro do espectro autista.


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