Pesquisar no Blog

segunda-feira, 20 de julho de 2026

Os 50 deixaram de ser o fim da carreira das mulheres


O mercado ainda enxerga prazo de validade onde a demografia revela décadas de potência. Uma mulher de 50 anos não está encerrando sua trajetória profissional, ela pode estar entrando na fase mais valiosa dela.

 

Em 2024, a expectativa de vida das brasileiras chegou a 79,9 anos. E uma mulher que alcança os 60 anos pode esperar viver, em média, outros 24,2 anos. Isso significa que chegar aos 50 deixou de representar a reta final da vida produtiva. Para muitas mulheres, pode significar mais duas ou três décadas de trabalho, liderança, empreendedorismo e reinvenção.

 

Os 50 não são os novos 30, são os novos 50: com mais repertório, autonomia e tempo de futuro. Estamos vivendo uma transformação silenciosa que mudará profundamente o mercado de trabalho. Enquanto grande parte das discussões está concentrada na inteligência artificial, na transformação digital e nas novas formas de trabalho, uma mudança ainda maior acontece diante dos nossos olhos: a mudança demográfica.

 

O Brasil já tem quase 34 milhões de mulheres com 50 anos ou mais. Não estamos falando de um nicho, mas de uma das maiores forças econômicas, profissionais e consumidoras do país. Para compreender a dimensão desse contingente, ele equivale a quase três vezes toda a população de Portugal, estimada em 11,4 milhões de habitantes, e corresponde a cerca de 82% da população inteira do Canadá, hoje com 41,4 milhões. Em outras palavras: se as brasileiras 50+ formassem um país, ele teria dimensões continentais — e ignorar sua experiência, seu poder de decisão e sua capacidade produtiva seria um enorme erro econômico. 

 

O problema é que as organizações ainda operam com modelos de carreira concebidos para um mundo no qual as pessoas estudavam, trabalhavam, se aposentavam e envelheciam em etapas quase lineares e esse mundo acabou.


Teremos carreiras mais longas, múltiplas transições, períodos de pausa, novas formações, empreendedorismo, trabalhos por projeto e até mais de uma aposentadoria ao longo da vida.

 

Aos 50, uma mulher pode iniciar uma nova carreira, assumir uma posição executiva, tornar-se conselheira, empreender, investir, ensinar, mentorar ou transformar décadas de experiência em uma nova fonte de renda e impacto.


Mas existe um obstáculo: o mercado ainda confunde idade com perda de capacidade e é nesse descompasso que nasce o etarismo.

 

Uma pesquisa da EY e da Maturi, realizada com 191 empresas brasileiras, mostrou que as organizações ainda estão nos primeiros passos da inclusão de profissionais 50+. Outro levantamento das mesmas instituições revelou uma distância crescente entre a disposição desses profissionais para permanecer no mercado e o interesse efetivo das empresas em contratá-los. Nove em cada dez profissionais pesquisados buscavam recolocação, enquanto as vagas destinadas a esse público haviam diminuído.

 

Costumamos tratar o preconceito relacionado à idade apenas como um problema social, mas ele é também um problema econômico. Em um cenário de transformação acelerada, escassez de talentos e necessidade permanente de inovação, afastar profissionais experientes significa desperdiçar conhecimento, relacionamentos, memória organizacional e capacidade de julgamento.

 

Existe uma ironia neste momento histórico. Nunca falamos tanto em inovação, mas nunca precisamos tanto de pessoas capazes de lidar com a complexidade, equilibrar interesses, antecipar riscos, formar novos líderes e decidir quando não existe uma resposta pronta.

 

A inteligência artificial torna essa discussão ainda mais relevante. A tecnologia consegue processar informações, identificar padrões e produzir respostas em uma velocidade extraordinária. Mas ainda precisamos de pessoas para interpretar contextos, fazer as perguntas certas, compreender consequências e decidir o que merece ser feito. Quanto mais inteligência artificial tivermos, maior será o valor do discernimento humano.

 

O Fórum Econômico Mundial estima que 39% das competências essenciais dos trabalhadores deverão mudar até 2030. Entre as habilidades mais valorizadas pelas empresas estão pensamento analítico, resiliência, flexibilidade, liderança, influência social, empatia e escuta ativa. Não por acaso, são competências que podem ser aprofundadas pela experiência e pela exposição a diferentes ciclos da vida.

 

Um estudo da FGV com 308 profissionais 50+ destacou justamente capacidades como empatia, perseverança, mediação de conflitos, adaptabilidade e aprendizagem contínua. O desafio, portanto, não é a ausência dessas competências, é a dificuldade das organizações em reconhecê-las e transformá-las em valor estratégico. O currículo mostra onde uma pessoa esteve, mas é o repertório que mostra o que ela é capaz de compreender, conectar e decidir.

 

Quando olhamos especificamente para as mulheres, essa discussão ganha outra dimensão. Elas enfrentam simultaneamente o preconceito de gênero e o preconceito relacionado à idade.

 

Apesar dos avanços, o caminho até a liderança permanece desigual. O relatório Women in the Workplace 2025 mostra que, para cada 100 homens promovidos ao primeiro cargo de gestão, apenas 93 mulheres recebem a mesma oportunidade. Nos cargos de alta liderança, elas representam somente 29% das posições de C-level nas empresas pesquisadas.

 

É o chamado “degrau quebrado”. Muitas mulheres não chegam ao topo porque tiveram menos oportunidades de subir o primeiro degrau. Mesmo assim, cresce o número de mulheres maduras assumindo posições estratégicas. E isso não acontece por acaso, o próprio conceito de liderança está mudando.

 

Durante muito tempo, liderar foi associado a comando, controle e autoridade. Hoje, as organizações precisam de colaboração, escuta, desenvolvimento de pessoas, visão sistêmica, capacidade de negociação e inteligência emocional.

 

Essas competências não pertencem exclusivamente às mulheres. Mas muitas chegam aos 50 anos tendo liderado equipes, criando filhos, cuidado de familiares, atravessado crises, administrado múltiplos papéis e tomado decisões difíceis em ambientes de alta complexidade. Esse repertório raramente aparece completo em um currículo, mas aparece na qualidade das decisões.

 

A longevidade também está criando uma geração de mulheres com um nível inédito de autonomia. Muitas já consolidaram suas carreiras, ampliaram sua independência financeira e agora possuem mais clareza para escolher onde desejam colocar seu tempo, sua energia e sua experiência.

 

É nessa fase que vemos surgir mais conselheiras, investidoras, mentoras, executivas e empreendedoras. Estamos diante da abertura de uma nova economia e essa transformação conversa diretamente com a previdência e o planejamento financeiro. Viver mais é uma conquista extraordinária. Mas carreiras mais longas, transições profissionais e aposentadorias que podem durar 25 ou 30 anos exigem novas estruturas financeiras.

 

A previdência pública continuará cumprindo seu papel de proteção social. A previdência aberta oferece alternativas individuais de mercado. Já a previdência complementar fechada pode agregar governança representativa, propósito coletivo, planejamento de longo prazo, portabilidade e custos mais eficientes.

 

É essa reserva de previdência que pode dar liberdade para uma mulher reduzir o ritmo, realizar uma pausa, empreender, estudar novamente, cuidar de alguém, mudar de carreira ou continuar trabalhando porque deseja — e não porque não possui escolha.

 

Como executiva de uma entidade de previdência complementar, acompanho diariamente essa transformação. Vejo mulheres reinventando suas trajetórias, assumindo posições estratégicas e demonstrando que diversidade não significa apenas reunir diferentes gêneros ou origens. Diversidade também é colocar diferentes gerações, experiências e perspectivas ao redor da mesma mesa.

 

As empresas mais competitivas do futuro não serão formadas apenas por jovens nem apenas por profissionais experientes, mas por aquelas capazes de combinar velocidade com discernimento, tecnologia com humanidade, novas perguntas com conhecimento acumulado.

 

Denise Maidanchen - CEO da Quanta Previdência, Presidente do Lide Mulher SC e Diretora da Uniabrapp


Tecnocracia: estamos entregando as decisões às máquinas?


Poucas pessoas percebem, mas grande parte das decisões que influenciam o nosso dia a dia já passa, de alguma forma, por algoritmos. Eles definem quais conteúdos aparecem nas redes sociais, quais produtos são sugeridos em plataformas digitais, quais rotas utilizamos em aplicativos de mobilidade, e apoiam análises de risco financeiro e processos de contratação, por exemplo. Nas empresas, esse movimento se intensifica à medida em que tecnologias como a inteligência artificial assumem funções cada vez mais estratégicas – nos levando a uma realidade em que é importante nos questionarmos: até que ponto esses sistemas estão tomando decisões por nós, em uma possível sociedade tecnocrática? 

O conceito descreve modelos de gestão e governança em que as ações e medidas são tomadas através da tecnologia, critérios técnicos, científicos e racionais, conduzidas por especialistas capazes de interpretar dados e evidências de forma objetiva – na intenção de reduzir subjetividades e aumentar a eficiência dos resultados conquistados. Isso não significa que as máquinas estejam substituindo completamente os seres humanos, mas que passamos a confiar cada vez mais em modelos computacionais para recomendar caminhos, prever cenários e, em alguns casos, decidir automaticamente determinadas ações. 

Se existe hoje uma tecnologia que materializa essa transformação, é a inteligência artificial. Diferentemente das ferramentas digitais tradicionais, que apenas executavam comandos previamente definidos, a IA é capaz de analisar grandes volumes de dados, identificar padrões, realizar previsões, recomendar e até automatizar decisões em tempo real. Não à toa, sua adoção cresce em ritmo acelerado, conforme mostra a pesquisa The State of AI 2025, da McKinsey: 88% das organizações já a utilizam em, pelo menos, uma área de negócio, consolidando a tecnologia como parte da rotina corporativa. 

O resultado dessa ascensão? Profissionais dos mais diversos segmentos que já recorrem à IA para apoiar suas decisões diariamente: médicos que a utilizam para auxiliar diagnósticos e interpretar exames; analistas financeiros, na avaliação de riscos de crédito e detecção de fraudes; equipes de Recursos Humanos, na realização da triagem inicial de currículos; indústrias, utilizando algoritmos para prever falhas em equipamentos e otimizar a produção; e áreas de marketing e vendas, analisando o comportamento dos consumidores para personalizar campanhas e antecipar demandas. 

Ao mesmo tempo, esse avanço convida a uma reflexão importante: embora a IA seja extremamente eficiente para processar dados, identificar padrões e gerar recomendações, ela não compreende nuances humanas da mesma forma que as pessoas, como empatia, contexto social, diversidade de perspectivas, dilemas éticos e os impactos de uma decisão sobre grupos minoritários, como exemplo. Quanto maior for a confiança depositada exclusivamente em sistemas automatizados, maior também deve ser o cuidado para que a busca por eficiência não comprometa valores fundamentais, como inclusão, equidade, transparência e a própria capacidade humana de exercer senso crítico.  

Cabe pontuar que boa parte das decisões que hoje estão sendo delegadas às máquinas estão centradas nas mãos de alguns poucos humanos. O Vale do Silício, por exemplo, vem se transformando em um "tecnofeudalismo algorítmico”, em que o debate atual está centrado no controle tecnológico concentrado na mão das grandes corporações de tecnologia. Engenheiros, designers de código e bilionários da região tomam decisões diárias que moldam o fluxo de informações, a moderação de discursos políticos e o comportamento da sociedade por meio de algoritmos. Juristas e cientistas alertam para essa tendência de autoritarismo tecnológico, apontando para o risco de as decisões públicas e privadas passarem a ser guiadas puramente pelo lucro corporativo camuflado de neutralidade algorítmica. 

A discussão sobre os limites da tecnologia na tomada de decisões está longe de ser inédita. Muito antes da popularização da inteligência artificial, a ficção científica já refletia sobre os impactos de uma sociedade governada por sistemas técnicos e pelo excesso de confiança na racionalidade das máquinas. Obras como Admirável Mundo Novo, de Aldous Huxley, retratam uma sociedade altamente eficiente, mas construída à custa da liberdade individual e da diversidade de pensamento.  

Em 1984, George Orwell demonstra como a tecnologia pode ser utilizada como instrumento de vigilância e controle social. Já Eu, Robô, de Isaac Asimov, apresenta o paradoxo de máquinas que, ao buscarem proteger a humanidade, passam a limitar sua autonomia. Mais recentemente, Black Mirror atualiza esse debate ao imaginar cenários em que algoritmos influenciam reputações, oportunidades e escolhas cotidianas. Embora pertençam ao universo da ficção, todas essas narrativas convergem para uma mesma reflexão: quando a eficiência passa a prevalecer sobre os valores humanos, o progresso tecnológico pode se transformar em um mecanismo de concentração de poder e redução da liberdade. 

Nesse contexto, a verdadeira questão já não é se a inteligência artificial participará das decisões que moldam empresas, governos e a sociedade, isso já é uma realidade. O desafio consiste em estabelecer limites, mecanismos de governança e princípios éticos que garantam que as decisões mais sensíveis permaneçam sob responsabilidade humana. A inteligência artificial deve ampliar nossa capacidade de analisar informações e apoiar escolhas, jamais substituir o discernimento, a empatia e os valores que caracterizam a condição humana. O futuro será definido não pela tecnologia que desenvolvermos, mas pela forma como decidirmos utilizá-la. 



Alexandre Pierro - doutorando em energia e mestre em gestão e engenharia da inovação, engenheiro mecânico, bacharel em física e especialista de gestão da PALAS, consultoria pioneira na implementação da ISO de inovação na América Latina.



O que o brasileiro não sabe sobre conversas de WhatsApp na Justiça

O Superior Tribunal de Justiça anulou condenações inteiras baseadas em capturas de tela. Especialista em Direito do Consumidor explica quando a prova vale, quando ela afunda o caso e o que fazer antes de qualquer problema virar processo

Guardar print de conversa virou um reflexo automático para a maioria dos brasileiros. Combinado por mensagem, registrado. Ameaça recebida, printado. Acordo feito no WhatsApp, foto tirada. A lógica parece óbvia: se está escrito, é prova. O problema é que o Judiciário brasileiro discorda. 

Em setembro de 2025, o Superior Tribunal de Justiça anulou uma condenação inteira no HC 1.036.370 por entender que prints de WhatsApp sem protocolo técnico adequado não constituem prova digital válida. A decisão foi uma das 229 proferidas pelo STJ sobre a cadeia de custódia de provas digitais naquele ano, número 76% maior do que em 2024, segundo levantamento da CNN Brasil. 

"O brasileiro guarda print e acredita que está protegido. Mas o que o STJ tem dito, de forma cada vez mais clara, é que a captura de tela sozinha pode não valer nada dentro de um processo", alerta Roberta Von Jelita, advogada especialista em Direito do Consumidor e fundadora do RVJ Advocacia.
 

Quando o print vale e quando não vale

A resposta muda dependendo de onde o caso será julgado. Na esfera penal, o STJ tem exigido rigor técnico: a prova precisa ter passado por metodologia que garanta sua integridade, com geração de código hash, metadados e documentação da cadeia de custódia. Sem isso, a prova pode ser descartada antes mesmo de ser analisada. 

Na esfera cível e trabalhista, as regras são um pouco mais flexíveis. O artigo 369 do Código de Processo Civil permite que qualquer meio de prova legal e moralmente legítimo seja apresentado em juízo. Mas os tribunais têm exigido, no mínimo, que a conversa seja completa, que identifique claramente as partes, que não haja indícios de adulteração e, preferencialmente, que seja acompanhada de outros elementos que corroborem seu conteúdo. 

"Print recortado, mostrando apenas o trecho que interessa a quem apresentou, é o primeiro passo para perder credibilidade diante de um juiz. A conversa precisa estar íntegra, em contexto. Qualquer sinal de manipulação já levanta dúvida sobre tudo o que foi apresentado", explica Roberta.
 

Conversas apagadas, áudios e grupos: o que acontece com cada um

Mensagem apagada é um dos pontos que mais gera dúvida. Do ponto de vista técnico, a exclusão de mensagens no WhatsApp não necessariamente apaga o conteúdo do dispositivo, e a perícia especializada pode recuperá-las. Mas sem essa perícia formal, alegar que uma mensagem existiu e foi apagada pode ser insuficiente para sustentar uma ação. 

Áudios têm, em geral, maior força probatória do que textos, porque são mais difíceis de manipular sem deixar rastros audíveis. Gravar uma conversa da qual você participa, mesmo sem avisar a outra parte, é considerado lícito pelo Supremo Tribunal Federal desde que seja você um dos interlocutores. O que não é permitido é gravar uma conversa de terceiros, sem qualquer envolvimento seu. 

Grupos de WhatsApp apresentam um desafio específico: identificar quem está por trás de cada número e provar que determinada mensagem foi enviada por determinada pessoa. "Em grupos de trabalho, de condomínio, de negócios, qualquer pessoa pode alegar que outra usou o celular dela. Isso fragiliza muito a prova se ela estiver baseada apenas na captura de tela", observa a advogada.
 

Relações de trabalho, contratos e golpes: os casos mais comuns

Na Justiça do Trabalho, prints de WhatsApp têm sido usados para provar ordens de superiores fora do horário, assédio moral, cobranças abusivas de metas e até rescisões negociadas verbalmente. O TRT da 18ª Região de Goiás, por exemplo, já rejeitou uma captura de tela apresentada por um trabalhador por entender que a prova foi produzida de forma unilateral, sem confirmação da outra parte. 

Quando um acordo é fechado pelo aplicativo, a situação exige ainda mais cuidado. Os contratos firmados por WhatsApp têm validade jurídica, desde que contenham identificação clara das partes, objeto definido e aceitação expressa. Mas confiar apenas na troca de mensagens para relações com valores relevantes é um risco. "O WhatsApp pode registrar o acordo, mas quanto maior o valor e a complexidade, mais ele deve ser complementado por um documento formal. A mensagem sozinha raramente é suficiente para um processo bem sustentado", afirma Von Jelita. 

Em casos de golpe, a situação é diferente: prints, comprovantes de transferência, capturas de perfis e histórico de conversas formam um conjunto que, quando bem documentado, pode fundamentar uma ação. Quanto mais elementos diferentes apontem para a mesma direção, mais forte é a prova.
 

O risco de apresentar provas falsas

Manipular conversas de WhatsApp para usá-las em processo é crime. Existem aplicativos que criam mensagens falsas com aparência real, e os tribunais brasileiros já se depararam com esse tipo de fraude. "Quem apresenta prova falsa em juízo pode responder criminalmente, além de prejudicar o próprio caso. O juiz que identifica manipulação tende a desacreditar tudo o que aquela parte apresentou", alerta a advogada.
 

O que fazer antes de precisar da Justiça

A recomendação de Roberta é simples: não esperar o conflito acontecer para pensar em como documentar. Guardar conversas completas, nunca recortadas; ter outros registros que confirmem o que está escrito; e, quando o valor ou a importância do acordo justificar, formalizar em documento assinado, ainda que digitalmente. 

“Prova boa é prova construída antes do problema, não depois. E o que define um caso não é a quantidade de prints guardados, mas a qualidade e a consistência do conjunto de tudo que foi documentado.”


Dia dos Avós: somos a primeira geração que cuida dos idosos por WhatsApp

Unsplash
Com menos filhos, famílias espalhadas pelo mundo e uma população cada vez mais idosa, Brasil entra na era do cuidado, e a tecnologia pode auxiliar

 

Há uma cena que se repete em milhões de famílias brasileiras. Em casa, alguém procura um exame antigo no fundo de uma gaveta enquanto tenta lembrar qual médico receitou determinado medicamento. Da rua, um filho liga apressado para saber como foi a consulta da mãe idosa, enquanto o cuidador tenta reconstruir informações espalhadas entre papéis e mensagens de WhatsApp. O cenário do envelhecimento no Brasil começa exatamente aí, na dificuldade de organizar o cuidado. Nesse ponto, novas tecnologias, como a MYME, fundada em 2025, podem ajudar. 

O país está envelhecendo em uma velocidade histórica. Só entre 2016 e 2019, o número de familiares dedicados ao cuidado de pessoas com 60 anos ou mais saltou de 3,7 milhões para 5,1 milhões, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O Censo 2022 identificou um crescimento de 57,4% no número de pessoas idosas ao longo de 12 anos, e as projeções indicam que essa transformação demográfica está apenas começando. O país tem aproximadamente 214 milhões de habitantes em 2026, com expectativa média de vida de 77 anos. Já em 2070, a população deve cair para cerca de 199 milhões de pessoas, mesmo com a taxa de mortalidade infantil caindo de 11,8% para 5,8%, enquanto a expectativa média de vida saltará para 83,9 anos. Traduzindo esses números: haverá menos jovens, menos pessoas economicamente ativas e muito mais idosos vivendo por mais tempo. 

Isso mostra como a lógica social está mudando. As famílias estão menores, há mais pessoas sem filhos e o mercado de trabalho permite (às vezes, exige) mobilidade. Profissionais trocam de cidade, estado e até país com mais frequência do que suas gerações anteriores. Pais envelhecem enquanto filhos vivem a milhares de quilômetros de distância. Ao mesmo tempo, de acordo com o IBGE, as principais atividades requeridas pelos idosos são monitorar ou fazer companhia dentro do domicílio (83,4%), auxiliar nos cuidados pessoais (74,1%) e acompanhar consultas médicas, exames e atividades sociais, culturais e religiosas (61,1%). Ou seja, tudo que demanda presença e tempo. 

Essa tendência já chamou a atenção do mercado de saúde e do cuidado. É o caso da MYME, plataforma gratuita que centraliza o histórico médico de usuários e seus dependentes, e qualquer informação do histórico pode ser enviada a terceiros, via link, quando necessário. “O cuidado com o idoso não acontece só na emergência. Acontece todos os dias, na rotina. Quando o histórico médico está organizado e atualizado, o acompanhamento fica mais fácil e mais seguro”, diz Lucas Santiago, cofundador da MYME, que é estruturada como uma Sociedade de Benefício Público (PBC), combinando modelo de negócio com propósito social. 

A plataforma da MYME permite registrar sintomas, exames, consultas, prescrições médicas, medicação, vacinação, além de prontuários de hospitais, clínicas e outras unidades de saúde, do usuário ou de seu dependente, seja criança, doente ou idoso. “Às vezes, o filho está em outra cidade, enquanto o cuidador acompanha a rotina do idoso presencialmente. A plataforma cria uma ponte para a troca de informações sem que elas fiquem dispersas e fragmentadas. O mesmo vale para equipes de cuidadores que se revezam em uma mesma casa. É uma forma de cuidar melhor e dar mais tranquilidade para todos os envolvidos”, afirma Gabriel Barros, cofundador da MYME.

 

Como a MYME funciona

Ao criar uma conta na MYME, o usuário pode inserir informações em categorias sugeridas – Sintomas, Exames, Visita Médica, Medicação, Vacina e “Outros” – ou criar suas categorias (por exemplo, controle de glicemia, controle de pressão arterial e ciclo menstrual). A plataforma aceita arquivos em PDF, imagem e texto e tudo é inserido em uma linha do tempo do paciente. Qualquer dado ou categoria pode ser compartilhado via link. 

“A plataforma também é pensada para o cuidado com o outro, lembrando que vivemos em comunidade e dependemos uns dos outros”, destaca Lucas Santiago. Por isso, a MYME permite que o usuário crie perfis de dependentes e divida sua gestão com outros responsáveis (familiares e cuidadores de um idoso, por exemplo).
 

Segurança de dados

A proteção de dados é um dos principais pontos de atenção do setor de saúde diante dos episódios recentes de vazamento de informações confidenciais. A segurança é o ponto focal da MYME. O desenvolvedor da plataforma, Gabriel Barros, é engenheiro de software com experiência de 15 anos no Yahoo Internacional e liderança em um projeto de isolamento de dados sensíveis com Google e Microsoft. Ele garante que “a construção da infraestrutura da MYME parte do princípio de que dados de saúde exigem um nível máximo de proteção e controle pelo usuário.

 

Complementar ao Meu SUS Digital

A MYME não disputa espaço com o Meu SUS Digital, plataforma do Ministério da Saúde que funciona como prontuário eletrônico do Serviço Único de Saúde (SUS). “O Meu SUS traz informações da rede pública e agora também permite o agendamento de consultas [inicialmente para 500 municípios brasileiros]. A MYME agrega o que o paciente tem em papéis, imagens e outros arquivos guardados consigo, além de dados do cotidiano que o SUS não registra”, diferencia Gabriel.
  

MYME
Saiba mais aqui


Só 23% das empresas sabem quais comportamentos diferenciam seus melhores talentos


 Pesquisa do Pandapé revela que empresas valorizam competências comportamentais, mas poucas conseguem transformá-las em um padrão para contratar, desenvolver e reter talentos


Identificar o perfil ideal para uma vaga é um dos primeiros desafios do recrutamento. Mas há uma lacuna que vai além da triagem de currículos: boa parte das empresas brasileiras ainda não sabe, com precisão, quais comportamentos caracterizam seus profissionais de alta performance e, por consequência, deixa de usar esse conhecimento para contratar e desenvolver talentos de forma mais estratégica. 

Um levantamento realizado pelo Pandapé em 2025 com profissionais de RH revela que apenas 23% das empresas afirmam ter bem mapeadas as características comportamentais mais comuns entre seus colaboradores de melhor desempenho. Em contrapartida, 38% dizem ter apenas uma percepção informal sobre esse perfil, enquanto 35% reconhecem que ainda não fizeram esse mapeamento, embora enxerguem valor na iniciativa. 

Na prática, isso mostra que as organizações reconhecem a importância do comportamento, mas poucas transformaram esse conhecimento em um processo estruturado para orientar decisões de contratação, desenvolvimento e sucessão. 

"As empresas costumam saber quais características buscam em um candidato, na descrição da posição. Sem estrutura para avaliar comportamento de forma objetiva, essa preferência não se traduz em critério de seleção nem em parâmetro de desenvolvimento. O resultado é que o RH toma muitas decisões com base na experiência e na percepção individual, quando poderia construir um padrão replicável de alta performance", afirma Patricia Suzuki, Diretora de RH da Redarbor, detentora do Pandapé. 

O comportamento já tem peso nas decisões de contratação. Segundo a pesquisa, 88% das empresas afirmam já ter deixado de contratar um candidato tecnicamente qualificado por falta de fit comportamental. Ainda assim, apenas 39% possuem uma metodologia estruturada para mapear as competências comportamentais essenciais para cada cargo. Outras 36% fazem esse trabalho de maneira informal, enquanto 25% ainda não realizam esse mapeamento. 

Segundo a Society for Industrial and Organizational Psychology (SIOP), avaliações cognitivo-comportamentais baseadas em evidências podem aumentar significativamente a efetividade da seleção. Quando diferentes métodos de avaliação são combinados, a assertividade na escolha do candidato pode chegar a 91%. 

"A alta performance não é aleatória. Ela tem padrão. Empresas que conseguem mapear os comportamentos presentes em seus melhores profissionais passam a usar esse conhecimento como referência tanto para contratar quanto para desenvolver pessoas. As que não fazem esse exercício acabam dependendo mais da percepção individual do que de evidências", comenta a Diretora de RH. 

Outro dado da pesquisa do Pandapé chama atenção para o futuro. Para 72% dos profissionais de RH, o avanço da inteligência artificial aumentará a importância das competências comportamentais nos processos seletivos. Ou seja, à medida que as habilidades técnicas se tornam mais acessíveis e padronizadas, o comportamento tende a se consolidar como um dos principais diferenciais competitivos na contratação. 

"O próximo passo do RH é transformar comportamento em dado. Não para criar perfis rígidos, mas para entender quais características realmente impulsionam resultados dentro da própria organização. Quando isso acontece, a empresa deixa de contratar apenas pelo currículo e passa a tomar decisões muito mais consistentes ao longo de toda a jornada do colaborador", conclui Patricia Suzuki.


Férias de julho: descubra qual é o tipo de carro ideal para cada viagem e o que revisar antes de pegar a estrada

Especialista do SóCarrão explica quais características devem ser consideradas na escolha do veículo para diferentes destinos e lista os principais cuidados para viajar com mais segurança.


Com a chegada das férias escolares de julho, milhares de brasileiros aproveitam o período para viajar de carro. Seja rumo ao litoral, à serra ou ao interior, uma boa experiência na estrada começa antes mesmo de ligar o motor. Escolher um veículo adequado para o trajeto e realizar a manutenção preventiva são atitudes que garantem mais conforto, economia e segurança durante todo o percurso. 

 Segundo Jefferson Rocha, CEO do SóCarrão, não existe um modelo perfeito para todas as viagens. A escolha deve levar em consideração o número de passageiros, a quantidade de bagagens, o tipo de estrada e até mesmo a distância que será percorrida. 

 “Cada viagem exige características diferentes do veículo. Um carro econômico pode ser ideal para um casal que vai ao litoral, enquanto uma família com crianças e muitas malas provavelmente dará mais valor ao espaço interno e ao porta-malas. O importante é analisar as necessidades antes de pegar a estrada”. 


 Litoral: economia e conforto para longos trechos 

 Quem pretende aproveitar as praias pode priorizar veículos com bom consumo de combustível, ar-condicionado eficiente e porta-malas suficiente para acomodar malas, cadeiras e guarda-sol. 

 Entre os modelos que costumam atender bem esse perfil estão Chevrolet OnixHyundai HB20Volkswagen Polo e sedãs compactos como Chevrolet Onix Plus e Volkswagen Virtus, que combinam economia com espaço extra para bagagens. 


 Serra: desempenho faz diferença 

 Em regiões com muitas subidas, curvas e mudanças de altitude, um motor com boa retomada, freios em dia e estabilidade tornam a viagem mais confortável. 

 Modelos como Jeep RenegadeVolkswagen T-CrossHyundai Creta e Honda HR-V costumam oferecer um bom equilíbrio entre desempenho e conforto nesse tipo de percurso. 


 Campo e estradas de terra: robustez é prioridade 

 Para quem vai a chácaras, fazendas ou destinos com trechos sem pavimentação, a recomendação é optar por veículos com maior altura em relação ao solo e suspensão preparada para enfrentar irregularidades. 

 Picapes como Fiat Strada e Toyota Hilux, além de SUVs como Toyota Corolla Cross e Jeep Compass, podem proporcionar mais tranquilidade nesses trajetos. 


 Famílias grandes: espaço faz toda a diferença 

 Quando a viagem envolve crianças, carrinhos, malas e equipamentos, o espaço interno passa a ser um fator determinante. 

SUVs médios, utilitários de sete lugares e modelos com porta-malas amplo oferecem mais conforto para todos os ocupantes, especialmente em viagens mais longas. 


 Revisão é indispensável antes de viajar 

 Independentemente do destino ou do modelo escolhido, a revisão preventiva continua sendo um dos principais cuidados antes de pegar a estrada. 

 Entre os itens que merecem atenção estão os pneus (incluindo o estepe), sistema de freios, suspensão, óleo do motor, fluidos, bateria, iluminação, palhetas do limpador de para-brisa e sistema de arrefecimento. Também é importante verificar a documentação do veículo e manter a calibragem correta dos pneus. 

 De acordo com o CEO do SóCarrão, uma inspeção feita com antecedência ajuda a evitar imprevistos e pode até reduzir o consumo de combustível. 

 “Muitos problemas que aparecem durante as viagens poderiam ser evitados com uma revisão simples. Além de aumentar a segurança, um veículo bem regulado apresenta melhor desempenho e mais eficiência, proporcionando uma viagem mais tranquila para toda a família” 


Crédito do Trabalhador: 74% dos trabalhadores possuem dois ou mais empréstimos ativos no consignado privado após um ano do novo modelo, revela Serasa Experian

. Estudo da datatech mostra que 44% das operações possuem valor de até R$ 1,5 mil 

· Cerca de 30% dos trabalhadores aderiram o segundo empréstimo com taxas maiores

 

Um ano após a criação do Crédito do Trabalhador, o modelo de consignado privado passou a registrar maior recorrência de contratação entre trabalhadores CLT e crescimento na diversificação de instituições financeiras utilizadas nas operações. Dados do estudo inédito da Serasa Experian, primeira e maior datatech do país, mostra que 74% dos consumidores que aderiram à modalidade possuem dois ou mais empréstimos ativos, enquanto 54,6% dos trabalhadores com múltiplos contratos realizaram operações com bancos diferentes.

 

O levantamento também indica que parte dos consumidores passou a contratar esse tipo de crédito com condições menos vantajosas ao longo do tempo. Segundo o estudo, 29% dos trabalhadores que contrataram um segundo empréstimo assumiram taxas superiores às praticadas na primeira operação.

 

O novo consignado privado avançou principalmente em operações de menor valor, pois do total de contratos realizados no primeiro ano do programa, 44% envolveram concessões de até R$ 1,5 mil. Nessa faixa, a taxa média mensal observada foi 7% superior à registrada em operações anteriores de maior valor e prazo mais longo.

 

De acordo com o estudo da datatech, contratos acima de R$ 20 mil representaram apenas 1,9% das operações analisadas, mas possuem taxas médias menores e prazos mais extensos. “Esse é um comportamento que indica uma concentração do novo consignado em operações de baixo ticket e curto prazo entre os trabalhadores que aderiram à modalidade”, comenta Délber Lage, CEO da SalaryFits, empresa da Serasa Experian.

 

Ainda de acordo com Délber, “o avanço da modalidade ampliou o acesso ao crédito, mas também aumentou a frequência de contratação e a diversificação de instituições financeiras utilizadas pelos trabalhadores. Em um ambiente mais competitivo e pulverizado, cresce a importância de transparência nas ofertas e da comparação entre condições antes da tomada de crédito”.

 

Entre os consumidores que aderiram ao novo consignado privado, a pesquisa da datatech também identificou certo aumento sobre a procura por crédito, uma vez que 68% dos trabalhadores tiveram entre duas e cinco consultas ao CPF nos últimos seis meses, enquanto 69% possuem algum tipo de restrição financeira ativa.

 

“O amadurecimento do novo consignado passa não apenas pela expansão da oferta, mas também pela capacidade de garantir uso sustentável do crédito ao longo do tempo. A educação financeira e a transparência sobre taxas e condições serão fundamentais para a evolução saudável desse mercado”, conclui Délber Lage.



Metodologia

O estudo da Serasa Experian analisou 191.798 contratos de empréstimo consignado privado vinculados a 88 empresas. Foram consideradas operações realizadas até abril de 2026, envolvendo 61 instituições financeiras.

 

Experian
experianplc.com


O que faz uma bicicleta durar anos? Especialista explica os cuidados que aumentam a vida útil da bike


Limpeza, lubrificação, revisões periódicas e até a escolha do modelo influenciam diretamente na durabilidade e no desempenho da bicicleta


Uma bicicleta bem cuidada pode acompanhar o ciclista por muitos anos. No entanto, pequenos erros do dia a dia, como deixar a corrente sem lubrificação, guardar a bike exposta ao tempo ou ignorar revisões preventivas, podem reduzir significativamente a vida útil dos componentes e aumentar os custos com manutenção. 

Com o crescimento do mercado de bicicletas no Brasil e o aumento do número de pessoas que utilizam a bike para lazer, esporte e mobilidade, especialistas reforçam que preservar o equipamento vai muito além da estética. A manutenção adequada melhora o desempenho, aumenta a segurança e evita a substituição precoce de peças.
  
Segundo David Peterle, CEO da Oggi Bikes, a durabilidade da bicicleta começa antes mesmo do primeiro pedal. "Muitas pessoas pensam apenas no preço na hora da compra, mas a escolha do modelo correto faz toda a diferença. Uma bicicleta compatível com o tipo de uso do ciclista tende a sofrer menos desgaste, exigir menos manutenção e proporcionar uma experiência muito melhor ao longo dos anos", afirma.

 

Limpeza vai muito além da aparência 

Após pedalar em trilhas, estradas de terra ou até mesmo em dias de chuva, a limpeza da bicicleta deve fazer parte da rotina. Poeira, barro e resíduos aceleram o desgaste da transmissão, dos rolamentos e de outros componentes mecânicos. 

"O ideal é fazer uma limpeza sempre que houver acúmulo de sujeira, utilizando produtos específicos para bicicletas. Jatos de alta pressão devem ser evitados porque podem remover a lubrificação interna dos rolamentos e comprometer componentes importantes", orienta Peterle.
 

Corrente bem lubrificada faz diferença 

Entre todos os itens da bicicleta, poucos sofrem tanto desgaste quanto a corrente. Uma lubrificação inadequada aumenta o atrito, reduz a eficiência da pedalada e acelera o desgaste da transmissão. 

A recomendação é utilizar lubrificantes específicos para bicicletas, escolhendo produtos adequados para condições secas ou úmidas. Antes de reaplicar o lubrificante, é importante remover resíduos antigos para evitar o acúmulo de sujeira.
  
"Uma corrente bem cuidada preserva não apenas ela própria, mas também cassete, coroas e câmbio. É um cuidado simples que pode evitar gastos muito maiores no futuro", explica o executivo.

 

Calibragem correta evita desgaste prematuro 

Rodar com pneus abaixo ou acima da pressão recomendada compromete tanto o desempenho quanto a durabilidade da bicicleta. Além de aumentar o risco de furos, pneus mal calibrados exigem mais esforço do ciclista, desgastam a banda de rodagem de maneira irregular e podem afetar rodas e suspensão. "O ideal é verificar a calibragem antes dos pedais, respeitando sempre a pressão indicada para o modelo do pneu e o peso do ciclista. É um hábito rápido que melhora conforto, rendimento e segurança", afirma Peterle.
 

Revisão preventiva custa menos do que trocar peças 

Assim como acontece com um automóvel, a bicicleta também precisa de revisões periódicas. Freios, transmissão, suspensão, rolamentos e cabos devem ser inspecionados regularmente para identificar desgastes antes que eles comprometam outros componentes. 

Segundo Peterle, muitas das manutenções mais caras poderiam ser evitadas com inspeções preventivas. "Esperar aparecer um problema costuma sair mais caro. Pequenos ajustes feitos no momento certo preservam a bicicleta, aumentam a segurança e evitam que o desgaste de uma peça acabe comprometendo outras", destaca.
 

Armazenamento também influencia 

Outro cuidado frequentemente negligenciado é a forma como a bicicleta é guardada. Exposição prolongada ao sol, chuva e umidade acelera a oxidação de componentes metálicos e reduz a vida útil de pneus, selins e manoplas. Sempre que possível, a recomendação é armazenar a bicicleta em ambientes cobertos, secos e protegidos da exposição direta ao clima.
 

A qualidade da bicicleta também faz diferença 

Além da manutenção, a escolha de uma bicicleta construída com componentes compatíveis com o uso pretendido influencia diretamente sua durabilidade. "Uma boa bicicleta não é necessariamente a mais cara, mas aquela desenvolvida para atender ao perfil de quem vai utilizá-la. Quando o ciclista escolhe um modelo adequado para seu tipo de pedal e mantém uma rotina básica de manutenção, a bicicleta pode oferecer muitos anos de uso com excelente desempenho. Cuidar da bike é também preservar o investimento feito nela", conclui Peterle.

 

Posts mais acessados